Quanto custa um Barbado da Terceira? Em Portugal, um filhote com pedigree custa entre €600 e €1.200 (cerca de R$ 3.500 a R$ 7.000). No Brasil a raça é praticamente inexistente — ter um envolve importação dos Açores ou de criadores portugueses, com custo total que pode passar de R$ 15.000. Abaixo, o guia completo.
Imagine um cão que passou séculos tocando gado nas ilhas dos Açores, desenvolveu uma barba digna de filósofo e ainda por cima é um dos segredos mais bem guardados da cinofilia portuguesa. Esse é o Barbado da Terceira — uma raça que só foi reconhecida oficialmente em 2004 e que, fora de Portugal, pouquíssima gente conhece.
Se você é fã de raças raras de cachorro (e se chegou até aqui, provavelmente é), prepare-se para conhecer no Barbado da Terceira um cão de trabalho rústico, inteligente e com uma cara de quem sabe mais do que aparenta.
Índice:
Ficha técnica do Barbado da Terceira
- Origem: Ilha Terceira, Açores (Portugal)
- Porte: médio — machos de 52 a 58 cm e 25 a 30 kg; fêmeas um pouco menores
- Pelagem: comprida, ondulada e desgrenhada, com a barba característica
- Expectativa de vida: 12 a 14 anos
- Energia: alta — é um cão boiadeiro de trabalho
- Preço: €600–1.200 em Portugal; importação para o Brasil pode superar R$ 15.000
- Reconhecimento: Clube Português de Canicultura (2004); ainda não reconhecido pela FCI em definitivo
História: o boiadeiro barbudo dos Açores
O boiadeiro dos Açores descende dos cães levados pelos colonizadores portugueses às ilhas dos Açores a partir do século XV. Isolados na Ilha Terceira, esses cães foram moldados pela função: tocar e conter o gado bravo da ilha, trabalhar em terreno vulcânico e aguentar o clima atlântico — vento, chuva e sol no mesmo dia.
Durante séculos foi apenas “o cão das vacas” dos lavradores terceirenses. O reconhecimento oficial como raça só veio em 2004, pelo Clube Português de Canicultura, depois de um trabalho de resgate genético feito por criadores locais que perceberam que aquele patrimônio estava desaparecendo.
Temperamento: trabalhador de dia, palhaço de noite
Quem convive com o Barbado da Terceira descreve um cão de duas camadas: no trabalho, é sério, focado e mandão com o gado (o instinto de conduzir mordiscando calcanhares é forte). Em casa, vira um companheiro brincalhão, grudado na família e desconfiado na medida certa com estranhos — o que também faz dele um bom cão de alerta.
É inteligente a ponto de aprender comandos com poucas repetições, mas tem a independência típica dos cães de trabalho: se o tutor não assumir a liderança com consistência e reforço positivo, ele decide sozinho o que acha melhor.
Cuidados essenciais
Exercício
É um boiadeiro: precisa de atividade física e mental diária. Caminhadas longas, jogos de faro e esportes como agility são ótimos. Em apartamento, só com muito compromisso do tutor — o ideal é casa com espaço.
Pelagem
A pelagem desgrenhada é rústica e protege do clima, mas embola com facilidade: escovação 2 a 3 vezes por semana e tosa higiênica ocasional. Não é um cão de banho frequente — a cada 4 a 6 semanas basta.
Saúde
Por ser uma raça de base genética pequena, os criadores sérios testam displasia coxofemoral e problemas oculares. Fora isso, é um cão rústico e saudável, com pouquíssimas doenças hereditárias conhecidas até hoje.
Onde encontrar um Barbado da Terceira
Aqui vem a parte difícil: essa raça portuguesa é rara até em Portugal continental, e no Brasil é praticamente inexistente. Os caminhos são os criadores registrados no Clube Português de Canicultura — a maioria nos Açores e alguns em Portugal continental — e a importação legal, que envolve custos de transporte, documentação sanitária e quarentena.
Desconfie de qualquer anúncio brasileiro vendendo Barbado da Terceira a preço de banana: a chance de ser um SRD felpudo é enorme.
O Barbado da Terceira é bom para famílias?
Sim — é apegado, brincalhão e paciente com crianças da própria família. Só precisa de socialização desde filhote e de bastante exercício para não inventar moda.
Barbado da Terceira solta muito pelo?
Menos do que parece: a pelagem é de crescimento contínuo (parecida com a de cães d’água), então solta pouco — mas exige escovação regular para não embolar.
Existe criador de Barbado da Terceira no Brasil?
Até onde se sabe, não há criadores estabelecidos no Brasil. O caminho é a importação de Portugal, com custo total frequentemente acima de R$ 15.000.
Qual a diferença entre o Barbado da Terceira e o Cão da Serra de Aires?
Os dois são pastores portugueses barbudos, mas o Serra de Aires é continental, mais leve e de pelagem mais lisa; o Barbado é insular, mais robusto e de pelo mais ondulado — e conduz gado bravo, não ovelhas.
Você já conhecia o Barbado da Terceira? Tem alguma dúvida sobre a raça? Conta pra gente nos comentários!
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