A “doença do carrapato” é um nome popular para infecções graves transmitidas pela picada do carrapato-marrom, principalmente a erliquiose (causada pela bactéria Ehrlichia canis) e a babesiose (causada pelo protozoário Babesia). São doenças sérias, que atacam o sangue do cão e podem ser fatais se não tratadas — mas têm tratamento veterinário eficaz quando diagnosticadas a tempo. Ao notar apatia, febre, falta de apetite, gengivas pálidas ou pequenos sangramentos, procure um médico-veterinário sem demora.
Índice:
O que é a doença do carrapato e quais doenças ela engloba
No dia a dia, tutores e clínicas chamam de “doença do carrapato” um conjunto de infecções transmitidas por carrapatos. As duas mais comuns no Brasil são a erliquiose e a babesiose. Ambas costumam ser transmitidas pelo mesmo vetor: o carrapato-marrom do cão (Rhipicephalus sanguineus), o carrapato mais frequente em ambientes urbanos brasileiros.
- Erliquiose: causada pela bactéria Ehrlichia canis, que infecta células de defesa do sangue. É uma doença multissistêmica, ou seja, afeta vários órgãos ao mesmo tempo.
- Babesiose: causada por protozoários do gênero Babesia, que invadem e rompem as hemácias (glóbulos vermelhos), provocando anemia por hemólise.
Não é raro que o mesmo cão apresente as duas infecções ao mesmo tempo, já que compartilham o mesmo carrapato transmissor. Por isso o controle de carrapatos é tão importante.
Como o cão pega a doença do carrapato
A transmissão acontece pela picada do carrapato infectado. Quando o carrapato se prende ao cão para se alimentar de sangue, ele libera saliva contaminada com o agente da doença. A babesiose também pode ser transmitida por transfusão de sangue de um doador contaminado, e por isso doadores precisam ser triados com exames antes da doação.
O carrapato-marrom se reproduz muito bem em quintais, frestas, canis, muros e cantos da casa, o que faz a infestação se manter e reinfectar os animais. Controlar o carrapato no ambiente é tão essencial quanto protegê-lo no animal. Veja nosso guia sobre como eliminar pulgas e carrapatos.
Sintomas: fique atento aos sinais
Os sinais variam conforme a doença e a fase. Na erliquiose, os sintomas costumam evoluir em três fases. Entre a picada e o aparecimento dos primeiros sinais existe um período de incubação de cerca de 8 a 20 dias. Os sintomas mais relatados incluem:
- Apatia, prostração e fraqueza (o cão fica “quietinho”, sem energia);
- Febre e falta de apetite (anorexia);
- Sangramentos: petéquias (pontinhos vermelhos na pele/gengiva), sangramento nasal (epistaxe), manchas roxas;
- Gengivas e mucosas pálidas, sinal de anemia (muito característico da babesiose);
- Perda de peso progressiva;
- Secreção nasal ou ocular;
- Nos casos graves de babesiose, urina escura (avermelhada), icterícia (cor amarelada) e apatia intensa.
Muitos desses sinais se confundem com outros problemas — um cão apático que não come pode ter várias causas. Entenda melhor no guia cachorro apático ou vomitando. Só o veterinário confirma a causa.
Fases da erliquiose e seus sinais
| Fase | Duração aproximada | Sinais mais comuns |
|---|---|---|
| Aguda | 1 a 4 semanas | Febre, apatia, falta de apetite, aumento de linfonodos, petéquias, secreção nasal/ocular. Pode regredir sozinha, mas a bactéria permanece. |
| Subclínica | Meses a anos | Cão aparentemente saudável, sem sintomas ou com sinais vagos. A infecção segue “silenciosa” no organismo. |
| Crônica | Prolongada | Anemia acentuada, sangramentos, emagrecimento, problemas oculares e articulares, queda de imunidade. Fase mais grave e de maior risco de morte. |
Quando é emergência
A doença do carrapato pode ser fatal se não tratada, especialmente nas formas crônica e nos quadros graves de anemia. Procure atendimento veterinário com urgência se o cão apresentar:
- Gengivas muito pálidas ou esbranquiçadas (anemia grave);
- Sangramentos espontâneos (nariz, gengiva, urina ou fezes com sangue, manchas roxas);
- Prostração intensa, recusa total de alimento ou água;
- Urina escura/avermelhada ou coloração amarelada nos olhos e gengivas;
- Dificuldade para respirar ou convulsões.
Nesses casos, cada hora conta. Não espere “ver se melhora”.
Como o veterinário diagnostica e trata
O diagnóstico é feito pelo médico-veterinário, que combina o histórico do animal (contato com carrapatos) com exames de sangue. Os principais são o hemograma (que costuma mostrar queda de plaquetas e anemia), o esfregaço sanguíneo (que pode revelar o parasita dentro das células), além de sorologia e PCR para identificar o agente com precisão.
Existe tratamento e ele é eficaz quando iniciado cedo. A conduta é sempre definida e conduzida pelo veterinário, geralmente com medicamentos específicos para combater o agente, associados a terapia de suporte — que pode incluir fluidoterapia, suplementação e, em casos graves de anemia, transfusão de sangue. Nunca medique o cão por conta própria: a escolha do medicamento, da dose e do tempo de tratamento depende de avaliação profissional e de exames. A automedicação pode mascarar a doença e piorar o quadro.
Como prevenir a doença do carrapato (passo a passo)
A prevenção é a melhor arma e depende de atacar o carrapato em duas frentes: no animal e no ambiente.
- Use antiparasitários de forma contínua: converse com o veterinário sobre coleiras, pipetas ou comprimidos que protegem contra carrapatos, respeitando o intervalo de reaplicação indicado na bula.
- Inspecione o cão após passeios: passe as mãos por todo o corpo, especialmente orelhas, pescoço, axilas, entre os dedos e virilha. Remova carrapatos com cuidado, sem esmagar.
- Controle o ambiente: limpe frestas, cantos, muros e a casinha; o carrapato-marrom vive e se reproduz nesses locais. Em infestações grandes, considere dedetização orientada.
- Evite áreas infestadas com mato alto e locais com histórico de carrapatos.
- Mantenha a saúde geral em dia: um calendário de vermifugação e as visitas de rotina ajudam a detectar problemas cedo.
- Ao notar qualquer sinal suspeito, leve ao veterinário: quanto antes o diagnóstico, maiores as chances de recuperação.
Perguntas frequentes
Doença do carrapato tem cura?
Sim, existe tratamento eficaz, especialmente quando a doença é diagnosticada nas fases iniciais. O prognóstico piora nos quadros crônicos e com anemia grave, por isso a rapidez em procurar o veterinário faz muita diferença. O tratamento é sempre conduzido por um profissional.
Doença do carrapato pega em humano?
A erliquiose é considerada uma zoonose, mas não passa diretamente do cão para a pessoa. O contágio humano só ocorreria pela picada de um carrapato infectado. Ou seja, o risco está no carrapato, não no contato com o cão doente. Controlar carrapatos protege toda a família.
Quanto tempo depois da picada aparecem os sintomas?
Na erliquiose, o período de incubação costuma ser de cerca de 8 a 20 dias entre a picada e os primeiros sinais. Como pode haver uma fase subclínica sem sintomas por meses, o cão pode adoecer bem depois do contato com o carrapato.
Como prevenir a doença do carrapato?
Use antiparasitários indicados pelo veterinário, inspecione o cão após passeios, remova carrapatos com cuidado e controle o ambiente (frestas, muros, casinha), onde o carrapato-marrom se reproduz. Prevenção no animal e no ambiente, juntas, são o caminho mais seguro.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico-veterinário. A doença do carrapato é séria e o diagnóstico e o tratamento exigem exames e acompanhamento profissional. Ao notar qualquer sinal como apatia, febre, falta de apetite, gengivas pálidas ou sangramentos, procure atendimento veterinário o quanto antes.


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