Passou quase despercebido por quem compra ração todo mês, mas mudou uma regra importante do que pode chegar à tigela do seu animal. Desde o dia 1º de julho de 2026, o Brasil tem um limite legal explícito para aflatoxina na ração e nos demais alimentos industrializados para cães e gatos.
A regra vem da Portaria SDA/Mapa nº 1.412/2025, publicada pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária ainda em novembro de 2025, com prazo de adaptação até este julho. O texto incorporou contribuição técnica do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) durante consulta pública.
Índice:
O que é aflatoxina na ração e por que ela preocupa
Aflatoxinas são micotoxinas — substâncias tóxicas produzidas por fungos, principalmente do gênero Aspergillus, que se desenvolvem em grãos como milho e amendoim quando há calor e umidade no cultivo, no transporte ou na armazenagem. Elas não somem no processamento e não dão cheiro nem gosto ao alimento, o que torna impossível para o tutor identificar o problema no olho.
Entre os efeitos associados à exposição estão hepatite tóxica, imunossupressão e, em quadros graves, aflatoxicose aguda. É exatamente por isso que a fiscalização passou a trabalhar com um número, e não com uma recomendação genérica.
Os limites agora são objetivos:
- Aflatoxina B1: no máximo 10 µg/kg;
- Aflatoxinas totais: no máximo 20 µg/kg;
- Produtos acima desses valores “passam a ser considerados impróprios para uso ou consumo animal”;
- Fábricas precisam de análises laboratoriais com métodos validados (HPLC e ELISA estão entre os recomendados);
- A supervisão da qualidade cabe a um Responsável Técnico — médico-veterinário ou zootecnista.
O que muda na prática para quem compra ração
Para o tutor, a mudança é silenciosa e boa: ela desloca a responsabilidade para quem fabrica. Não há nada que você precise fazer de diferente no supermercado — mas há hábitos que continuam valendo, e que a nova regra não substitui.
O básico segue igual: comprar produto com registro no Mapa e rótulo íntegro, conferir a validade, fugir de embalagem estufada, rasgada ou molhada, e guardar a ração no próprio saco, fechado, em local seco e arejado — despejar tudo num pote aberto na área de serviço úmida é justamente o cenário em que fungo prospera depois da compra.
Também vale prestar atenção ao animal. Sinais como apatia persistente, vômito, icterícia (gengiva e parte branca do olho amareladas) e recusa alimentar pedem veterinário, não pesquisa na internet — e é útil saber diferenciar quando o cachorro não quer comer por manha e quando é sinal de doença. Alimentação inadequada também está por trás de quadros como a pancreatite em cães, muitas vezes disparada por restos de comida humana.
E há o risco que não vem da fábrica, e sim da cozinha: a lista de alimentos tóxicos para cães continua sendo a causa mais comum de intoxicação doméstica no Brasil. Excesso de petisco, por sua vez, alimenta outro problema crônico: a obesidade em cães e gatos.
Se restar dúvida sobre um lote específico, o caminho é guardar a embalagem com o número do lote, registrar reclamação junto ao fabricante e comunicar o serviço de fiscalização do Mapa.
E na sua casa, como é? Conte nos comentários — a gente lê e responde.


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