A alergia alimentar em cães e gatos é uma das causas menos óbvias — e mais frustrantes — de coceira crônica. Diferente de uma pulga, que salta aos olhos, a reação a um ingrediente da ração pode se arrastar por meses, com o pet se coçando sem parar, apresentando otites que voltam sempre e feridas que não cicatrizam. Segundo o Manual Veterinário MSD, o prurido (a coceira) é o sinal cutâneo mais frequentemente relatado tanto em cães quanto em gatos.
Nos cães, a coceira costuma se concentrar nas orelhas, patas, região da barriga e ao redor do ânus. Nos gatos, atinge principalmente rosto, orelhas e pescoço, podendo evoluir para lesões como o complexo granuloma eosinofílico, dermatite miliar e feridas nas almofadas das patas. Como a pele fica constantemente irritada, é comum surgirem infecções bacterianas ou por leveduras que voltam assim que o tratamento acaba — um ciclo que só se rompe ao identificar a causa de fundo.
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Alergia ou intolerância alimentar: qual a diferença?
Os dois termos são confundidos, mas descrevem coisas diferentes. Na alergia alimentar propriamente dita, há uma reação de hipersensibilidade do sistema imunológico a uma proteína do alimento — mesmo em pequena quantidade, ela dispara os sintomas. Já a intolerância não envolve o sistema imune: é uma dificuldade do organismo em processar certo componente (como a incapacidade de digerir lactose) ou uma reação a substâncias tóxicas ou farmacológicas do alimento.
Na prática clínica, veterinários costumam reunir todos esses casos sob o guarda-chuva de “reações adversas ao alimento”, já que os sinais externos podem se parecer. Ainda assim, a distinção importa: enquanto uma intolerância pode ser dose-dependente, a alergia verdadeira exige eliminar completamente o ingrediente-gatilho da dieta. Os alérgenos mais comuns em cães, de acordo com o Manual MSD, são carne bovina, laticínios, frango, trigo e cordeiro; nos gatos, carne bovina, peixe e frango lideram a lista.
Vale lembrar que a coceira também pode vir da dermatite atópica em cães, provocada por alérgenos do ambiente, e que casos de otite em cães de repetição podem ser justamente a ponta visível de uma alergia alimentar não diagnosticada. Por isso o diagnóstico precisa de método.
Como o veterinário confirma a alergia alimentar em cães e gatos
Não existe exame de sangue ou de saliva que feche o diagnóstico com segurança. O padrão-ouro é a dieta de eliminação: o pet passa a comer exclusivamente uma fonte de proteína nova (que nunca consumiu) ou uma ração com proteína hidrolisada, por várias semanas, sem petiscos ou restos que possam mascarar o resultado. Segundo o Manual MSD, pode ser necessário um mínimo de 10 semanas para identificar 95% dos animais alérgicos.
Se os sinais melhoram durante o período, a etapa seguinte é a reexposição controlada: o alimento antigo é reintroduzido para ver se a coceira volta. Uma resposta positiva ao desafio pode levar de 10 a 14 dias para aparecer, por isso cada ingrediente é testado com calma. Além dos sinais de pele, os problemas digestivos são a comorbidade mais relatada, e podem incluir:
- Vômitos e diarreia recorrentes;
- Aumento na frequência de evacuações (mais de três vezes ao dia);
- Esforço para defecar e gases em excesso;
- Perda de peso sem causa aparente.
O tratamento principal é simples de enunciar e trabalhoso de manter: evitar o alérgeno para o resto da vida do animal, oferecendo uma dieta que não contenha o ingrediente-gatilho. Durante a fase de teste, o veterinário pode prescrever medicação para aliviar a coceira. Cuidar da alimentação faz parte de um manejo mais amplo de saúde canina e de saúde felina, e qualquer mudança de dieta com fins diagnósticos deve ser conduzida por um profissional — dietas caseiras improvisadas costumam ficar desbalanceadas e atrapalham o resultado do teste.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Diante de sinais de doença, procure um profissional.
Fonte: MSD Veterinary Manual — Cutaneous Food Allergy in Animals


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