Comedouro de pássaros no quintal pode espalhar gripe aviária, alerta pesquisador

· Atualizado em

· por

comedouro de pássaros e gripe aviária
Resposta rápida: Um professor da Griffith University alerta que comedouros de pássaros no quintal podem funcionar como eventos de superdisseminação da gripe aviária, ao concentrar aves de espécies diferentes no mesmo ponto. No Brasil, o país segue em emergência zoossanitária por H5N1 — são 188 focos registrados, a maioria em aves silvestres. Quem tem ave de estimação deve manter distância total entre ela e aves de vida livre.

Pendurar um comedouro no quintal parece um gesto inofensivo — e, na maior parte do tempo, é. Mas um alerta publicado no fim de agosto coloca a prática sob outra luz: em regiões com circulação de influenza aviária de alta patogenicidade, o comedouro de pássaros pode virar exatamente o tipo de ponto de encontro que o vírus precisa.

Quem assina o alerta é Darryl Jones, professor emérito do Centre for Planetary Health and Food Security da Griffith University, na Austrália, em análise publicada em 24 de agosto no The Conversation e reproduzida pelo ScienceDaily. Segundo ele, alimentar aves no quintal pode atuar como “um evento de superdisseminação” — aquele em que uma doença infecta um número anormalmente alto de indivíduos.

A lógica é de aglomeração. O comedouro reúne, no mesmo poleiro e sobre a mesma superfície suja de saliva e fezes, aves que normalmente não se encontrariam. Na Austrália, onde metade dos domicílios alimenta aves silvestres, o surto em curso já matou mais de mil trinta-réis-de-crista e chegou a uma foca.

Comedouro de pássaros e gripe aviária: o que o pesquisador recomenda

  • Parar de alimentar é, segundo ele, a estratégia mais eficaz durante surtos ativos na região;
  • se não parar, reduzir a quantidade de sementes e restos de carne oferecidos;
  • evitar alimentar com a mão e qualquer contato direto com aves silvestres;
  • higienizar com rigor todas as superfícies e equipamentos de alimentação, usando água sanitária doméstica.

Pesquisas anteriores do próprio grupo trazem um consolo: a maioria das aves de quintal obtém a maior parte da nutrição de fontes naturais, como insetos e minhocas. Ou seja, suspender o comedouro por um período não condena os visitantes à fome.

E no Brasil? O país segue em emergência zoossanitária

O quadro brasileiro é diferente do australiano, mas não é de tranquilidade. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prorrogou em março de 2026, pela Portaria nº 896, por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional, em função da circulação do vírus H5N1 em aves silvestres.

Até a divulgação oficial, o país acumulava 188 focos da doença: 173 em aves silvestres, 14 em criações de subsistência e apenas um em plantel comercial. O primeiro foco no Brasil foi registrado em maio de 2023, em aves silvestres. A concentração em aves de vida livre é justamente o cenário em que o alerta sobre comedouros faz sentido — e reforça a recomendação de não manipular aves silvestres encontradas doentes ou mortas, e sim comunicar ao serviço veterinário oficial do estado.

Quem tem ave de estimação precisa redobrar o cuidado

Para tutores de calopsitas, periquitos, papagaios e canários, a orientação prática é de barreira sanitária caseira:

  • mantenha a gaiola ou viveiro fora do alcance de aves silvestres — sem contato, sem compartilhamento de poleiro, comedouro ou bebedouro;
  • evite deixar a gaiola em varanda onde pombos e pardais pousem;
  • lave as mãos antes e depois de manejar a ave, e troque de calçado se esteve em área com aves de vida livre;
  • não ofereça à ave doméstica ração ou sementes que ficaram expostas a aves silvestres;
  • procure um veterinário diante de apatia súbita, dificuldade respiratória ou queda de consumo de água.

O vírus também não ignora mamíferos: no início do ano, o CDC confirmou o primeiro indício de gripe aviária passando de gato para humano, num caso envolvendo profissional de medicina veterinária. Gatos com acesso à rua que cacem aves entram na conta do risco.

Se você cria aves legalizadas, vale revisar manejo e ambiente nos nossos guias de calopsita e periquito-rei. E, se a origem da ave for duvidosa, lembre-se de que o tráfico de silvestres movimenta animais sem qualquer controle sanitário — outro vetor de risco.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Aves silvestres doentes ou mortas não devem ser manipuladas: comunique o serviço veterinário oficial do seu estado.

Fonte: Bird flu is spreading. Your backyard feeder could make it worse — The Conversation / ScienceDaily

ℹ️ Conteúdo informativo: este artigo não substitui orientação de um médico-veterinário.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

📈 Mais lidos