Olho vermelho, semicerrado e com aquele acúmulo de remela: a conjuntivite em cães e gatos é um dos motivos mais frequentes de consulta oftalmológica na rotina veterinária. Embora costume assustar o tutor, trata-se de um sinal, e não de uma doença única. Segundo o Manual Veterinário MSD, a conjuntiva participa da produção de lágrima e da proteção do olho contra agentes externos, e sua inflamação pode indicar desde uma irritação passageira até uma doença mais séria.
De acordo com o manual, os sinais clássicos são vermelhidão do olho, inchaço do tecido ao redor da córnea, secreção e um desconforto leve. O problema é que a simples aparência do olho, sozinha, geralmente não permite ao veterinário identificar a causa apenas com o exame físico. É por isso que o autodiagnóstico à base de “parece conjuntivite” costuma dar errado.
Índice:
Quais são as causas da conjuntivite em cães e gatos
As origens são variadas e o tratamento muda conforme a causa. Entre as mais comuns, as fontes veterinárias destacam:
- Infecções virais ou bacterianas, que tendem a afetar os dois olhos;
- Alergias e irritantes ambientais, como poeira, fumaça e produtos de limpeza;
- Corpo estranho, pelo ou cisco preso, e o olho seco (ceratoconjuntivite seca), que costumam atingir um olho só;
- Alterações anatômicas das pálpebras e parasitas.
Nos gatos, existe um agravante importante. O Manual MSD aponta que a conjuntivite felina muitas vezes decorre da infecção pelo herpesvírus felino tipo 1 (FHV-1), extremamente disseminado entre os gatos, e que também pode ser causada pela bactéria Chlamydia felis. Nesses casos, o quadro costuma começar em um olho e depois atingir o outro, e é comum uma infecção bacteriana secundária se somar à viral. Manter a vacinação em dia ajuda a reduzir a gravidade de doenças respiratórias felinas ligadas a esses agentes, e gatos com imunidade comprometida, como os que convivem com FIV e FeLV, merecem atenção redobrada com os olhos.
Por que não usar colírio humano na conjuntivite em cães e gatos
Diante do olho vermelho, muitos tutores recorrem ao colírio da farmácia de casa. É justamente aí que mora o perigo. Como a conjuntivite tem várias causas possíveis, o produto certo depende do diagnóstico: um colírio com antibiótico não resolve uma alergia, e o Manual MSD alerta que, quando há outros fatores envolvidos, o antibiótico sozinho pode não curar. Pior: alguns colírios humanos contêm princípios ativos, como corticoides ou vasoconstritores, que podem agravar úlceras de córnea ou mascarar sinais importantes, atrasando o tratamento correto.
Além disso, aquele olho “apenas vermelho” pode esconder um corpo estranho, uma úlcera ou uma doença sistêmica. Por isso, o diagnóstico frequentemente exige histórico clínico, exame físico e testes como raspado da conjuntiva e teste lacrimal de Schirmer. Vale lembrar que o cuidado com a visão anda junto de outros hábitos de saúde: entender melhor como funcionam os olhos dos gatos ajuda o tutor a perceber mais cedo quando algo está fora do normal.
O recado é simples: olho vermelho, secreção persistente, o pet apertando ou coçando o olho com frequência são motivos para procurar o veterinário, e não para improvisar na farmácia. Quanto antes a causa for identificada, menor o risco de complicações que, em casos negligenciados, podem chegar à perda de visão.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Diante de sinais de doença, procure um profissional.
Fonte: Manual Veterinário MSD — Disorders of the Conjunctiva in Dogs / Cats


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