Resposta rápida: os relatos de overdose de Apoquel (oclacitinib), remédio contra coceira alérgica em cães, estão crescendo nos Estados Unidos. A causa apontada é ingestão acidental — o pet acha o frasco e come tudo —, não defeito do produto. A agência FDA já contabilizou 259 relatos em cães e 64 em gatos, e os felinos correm o maior risco.
A overdose de Apoquel entrou no radar dos toxicologistas veterinários. A Pet Poison Helpline, central de intoxicações animais dos Estados Unidos, informou no fim de setembro que vem recebendo um número crescente de ligações sobre o oclacitinib, princípio ativo do medicamento usado para controlar a coceira de cães alérgicos. A central não divulgou quantas chamadas foram, mas foi direta sobre o motivo: ingestão acidental, e não um problema de fabricação.
O alerta não veio sozinho. Em julho de 2026, a FDA, agência que regula medicamentos nos EUA, já havia avisado que o sabor de fígado suíno da versão mastigável torna os comprimidos atraentes para cães e para gatos. Até 2 de abril de 2026, a agência tinha recebido 259 relatos de overdose em cães e 64 em gatos desde a aprovação dessa versão, em junho de 2023 — 323 no total.
O medicamento também é vendido no Brasil e costuma aparecer no tratamento das alergias em cães, que pioram justamente agora, com a alta da coceira na primavera. Vale o registro: na dose receitada pelo veterinário, o oclacitinib não é esperado causar problemas no cão. O perigo está no excesso e no animal errado.
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O caso da gata que comeu o remédio do cachorro
A central ilustrou o alerta com um caso de Indiana. Uma tutora chamada Grace, que vive com cinco gatos e um cachorro, encontrou no chão, vazio, o frasco recém-reposto do remédio do cão. Ele tinha 13 comprimidos. O cachorro tinha passado o dia com ela no trabalho — ou seja, quem comeu foi um dos gatos.
Só uma gata, Tangerine, mostrou sinais no começo: terceira pálpebra elevada e olhos semicerrados. Os toxicologistas recomendaram levar os cinco gatos ao veterinário; a tutora levou apenas Tangerine e ficou de olho nos demais. Os exames mostraram que fígado e rins já estavam sendo afetados.
“Temos visto um número crescente de ligações sobre o Apoquel”, disse Renee Schmid, toxicologista veterinária sênior e diretora de medicina veterinária da central. Segundo ela, o remédio pode ser perigoso em grandes overdoses e em animais para os quais não foi receitado, e a ingestão de Tangerine provavelmente seria fatal sem tratamento. A gata ficou dois dias internada, com fluidos na veia, protetor hepático e monitoramento do coração, da pressão e dos olhos, e se recuperou totalmente. Os outros gatos não apresentaram sinais.
Sinais de overdose de Apoquel e por que o gato sofre mais
De acordo com a FDA, os sinais costumam surgir em até 24 horas. A versão mastigável é aprovada apenas para cães com mais de 12 meses e não é aprovada para gatos, que têm risco maior de complicações graves. Os sinais descritos pela agência e pela central incluem:
- vômito e diarreia;
- apatia e falta de apetite;
- olhos vermelhos, inchados ou semicerrados;
- queda nos glóbulos brancos, vista em exames;
- efeitos no coração, no cérebro, nos rins e no fígado nos casos mais sérios.
Em 2025, clínicos da Universidade Estadual da Carolina do Norte relataram dois gatos que desenvolveram lesão renal aguda depois de comer os comprimidos mastigáveis. Os dois precisaram de hemodiálise e se recuperaram. A recomendação deles para casas com gatos foi conversar com o veterinário sobre usar a formulação original, não mastigável.
A lição prática vale para qualquer remédio saborizado, e não só para este. Um comprimido que o cão toma com gosto é ótimo para a adesão ao tratamento e péssimo quando o frasco fica ao alcance. É a mesma lógica dos alimentos tóxicos para cães e gatos: o que faz mal quase sempre cheira bem para eles.
O que os especialistas orientam:
- guarde o medicamento na embalagem original, em armário alto e fechado — bolsa, bancada e criado-mudo não contam;
- redobre o cuidado em casas com mais de um animal;
- se houver suspeita de ingestão, procure o veterinário imediatamente, mesmo que só um pet pareça afetado ou que ninguém tenha sintoma ainda;
- leve a embalagem e informe quantos comprimidos sumiram;
- não provoque vômito por conta própria.
Saber o que fazer nos primeiros minutos faz diferença — as novas diretrizes de primeiros socorros para cães e gatos tratam justamente de intoxicações. E nunca ajuste a dose nem divida o remédio de um animal com outro sem orientação.
Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário (para o animal) nem a um médico (para pessoas). Em caso de ingestão acidental de medicamento, procure atendimento veterinário de urgência.


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