Raiva em cães: Brasil soma 19 casos até setembro de 2026 — e a queda histórica esconde um risco

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Resposta rápida: a raiva em cães caiu de 635 casos em 2002 para 21 em 2025 no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Mas, só até setembro de 2026, já foram 19 registros — quase o total do ano passado inteiro. A vacina anual continua sendo a única proteção, e em São Paulo ela é gratuita o ano todo.

A raiva em cães é uma das maiores histórias de sucesso da saúde pública brasileira — e justamente por isso corre o risco de ser esquecida. Um levantamento publicado em 29 de setembro pela revista especializada Cães&Gatos, com base em dados do Ministério da Saúde, mostra que o número de cães com a doença despencou de 635 casos, em 2002, para 21 em 2025.

O dado que chama atenção vem logo depois: até setembro de 2026, já foram registrados 19 casos. Ou seja, em nove meses o país praticamente igualou o total do ano anterior. O número é pequeno perto do passado, mas mostra que o vírus continua circulando — como provaram neste ano o primeiro caso de raiva canina no Distrito Federal em 26 anos e a confirmação de raiva em um gato em Campinas.

Raiva em cães: o que os números de 2026 mostram

Os principais dados reunidos pela publicação são estes:

  • 2002: 635 casos de raiva em cães no Brasil;
  • 2025: 21 casos;
  • 2026 (até setembro): 19 casos;
  • Cobertura vacinal: a campanha antirrábica de 2025 alcançou 78% no país;
  • Raiva humana: 2026 marca dez anos sem registro de raiva humana transmitida pelas variantes caninas clássicas do vírus.

Para o médico-veterinário Cássio Ricardo Ribeiro, especialista em epidemiologia ouvido pela revista, o sucesso traz uma armadilha. “O principal desafio é manter a vigilância e a vacinação mesmo diante da redução dos casos”, afirmou. A receita que ele resume em três verbos é simples: “vacinar, vigiar e comunicar”.

Na prática, quando uma doença some do noticiário, parte dos tutores deixa de enxergar motivo para o reforço anual. Só que a raiva é uma das zoonoses mais letais que existem: depois que os sintomas aparecem, praticamente não há tratamento, nem para o animal nem para a pessoa. E morcegos e animais silvestres seguem como reservatórios do vírus, o que significa que um cão ou gato sem vacina pode se infectar mesmo vivendo em área urbana.

Cinomose e panleucopenia: as doenças sem estatística nacional

A reportagem também chama atenção para um ponto cego. Diferentemente da raiva, que tem vigilância nacional, doenças como a cinomose (em cães) e a panleucopenia felina (em gatos) não contam com um banco de dados epidemiológico unificado no Brasil. As duas podem provocar quadros graves e alta letalidade, sobretudo em filhotes, animais não vacinados e populações de abrigos.

Por isso, a publicação faz uma ressalva importante: relatos de clínicas, abrigos, laboratórios ou prefeituras funcionam como alertas locais, mas não permitem afirmar, sozinhos, que existe um surto ou uma tendência nacional. O que se sabe com segurança é que ambas são preveníveis com vacina — vale conferir o calendário de vacinação de cães e gatos e, no caso dos cães, entender os sinais da cinomose.

Onde vacinar de graça contra a raiva em São Paulo

Na capital paulista, a vacina antirrábica é oferecida gratuitamente durante o ano inteiro, e não só em campanha. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (página atualizada em 21 de setembro de 2026), a Divisão de Vigilância de Zoonoses mantém cerca de 20 postos fixos distribuídos por todas as regiões da cidade, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h. O posto da própria DVZ, na Rua Santa Eulália, 86, em Santana, também abre aos sábados no mesmo horário.

As regras para levar o animal são:

  • cães e gatos devem estar saudáveis no dia — com vômito, diarreia ou mudança de comportamento, o ideal é esperar a recuperação;
  • a vacinação é indicada a partir dos três meses de idade;
  • quem leva o animal precisa ter idade e força suficientes para contê-lo com segurança;
  • cães bravos ou mordedores devem usar focinheira;
  • gatos devem ir em caixa de transporte bem fechada.

Mora em outra cidade? Muitos municípios concentraram a campanha em agosto, mas mantêm doses nos centros de zoonoses — veja o guia da vacinação antirrábica de cães e gatos em 2026 e confirme os endereços com a prefeitura local.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário (para o animal) nem a um médico (para pessoas). Em caso de dúvida ou sintoma, procure atendimento profissional.

Fonte: Cães&Gatos — O preço da baixa imunização; Prefeitura de São Paulo — Vacinação contra raiva animal.

ℹ️ Conteúdo informativo: este artigo não substitui orientação de um médico-veterinário.

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