A maior feira pet da América Latina, a PET South America, ocupou São Paulo de 13 a 15 de agosto de 2026 na sua 25ª edição, organizada pela NürnbergMesse Brasil. E o fio condutor dos lançamentos foi claro: a tecnologia para pets saiu da clínica e foi morar na sala do tutor.
Índice:
O que a tecnologia para pets trouxe de concreto
Entre os produtos apresentados pelos expositores:
- Areia higiênica com marcador de pH (Viva!Verde Monitora), de base vegetal, pensada para sinalizar alterações na urina do gato.
- Caixa de areia automatizada (New Pet), com sistema que separa a parte suja após o uso.
- Fonte de água com sensores, na aposta de estimular a ingestão de líquido.
- Brinquedos eletrônicos, como bola recarregável por USB e um passarinho interativo com movimento e som.
- Glicosímetro veterinário (Quallyx Vet), para acompanhamento de animais diabéticos em casa.
Por que a areia do gato virou item de saúde
Dos itens acima, o mais interessante clinicamente é o mais banal. O trato urinário é o calcanhar de aquiles do gato doméstico, e a caixa de areia é o único lugar onde o tutor tem acesso diário a esse dado sem levar o animal a lugar nenhum. Mudança de frequência, de volume, sangue ou tentativas improdutivas de urinar são sinais de alarme — a obstrução urinária em gatos é uma emergência que pode matar em questão de horas, e já cobrimos aqui um estudo com 80 gatos sobre recidivas do quadro.
Um marcador de pH não diagnostica nada disso. O que ele pode fazer — e já seria muito — é encurtar o intervalo entre “algo mudou” e “o tutor percebeu”. O mesmo vale para o glicosímetro: monitorar em casa é rotina consolidada no manejo do diabetes, mas ajuste de dose é ato veterinário, não decisão de aplicativo.
O que o gadget não faz
Vale a dose de ceticismo que qualquer feira comercial pede: os itens acima são lançamentos de expositores, apresentados por seus fabricantes, e não passaram por validação clínica independente divulgada no evento. Nenhum substitui exame físico, exame de urina ou consulta — e um sensor que gera falsa segurança é pior do que sensor nenhum. A tecnologia entra bem quando encurta o caminho até o veterinário; mal, quando serve de desculpa para adiar a ida.
O movimento, de todo modo, acompanha um mercado em plena expansão — o mesmo que fez o delivery de produtos pet saltar 53% em 2026 e lotou, na mesma semana, o congresso PET VET 2026 no Anhembi.
Você já passou por isso com o seu animal? Conte nos comentários — a sua experiência ajuda outros tutores.
Este conteúdo é informativo e jornalístico e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Diante de qualquer sinal de dor, mudança de comportamento ou alteração de saúde no seu animal, procure atendimento profissional.


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