Resposta rápida: a tartaruga-russa (Testudo horsfieldii), também chamada de tartaruga-de-quatro-dedos ou tartaruga-de-Horsfield, é uma tartaruga terrestre pequena, dócil e muito popular no comércio de répteis. Não é um jabuti (que é nativo) nem uma tartaruga-tigre-d’água (que é aquática): é uma espécie exótica de estepe, adaptada a clima seco. No Brasil, só pode ser criada legalmente com procedência de criadouro/importador autorizado pelo IBAMA, acompanhada de nota fiscal, microchip e Certificado de Origem. Ela precisa de recinto seco com substrato fundo para cavar, lâmpada UVB, ponto de aquecimento e dieta 100% herbívora rica em fibras e cálcio.
Índice:
Ficha rápida da tartaruga-russa
- Nome científico: Testudo horsfieldii (sin. Agrionemys horsfieldii)
- Outros nomes: tartaruga-de-quatro-dedos, tartaruga-de-Horsfield, tartaruga-afegã, tartaruga-de-estepe
- Tamanho adulto: cerca de 13 a 20 cm de casco (fêmeas maiores que os machos)
- Longevidade: 40 anos ou mais, podendo passar de 50 anos com bom manejo
- Temperamento: dócil, ativa, curiosa e escavadora
- Dificuldade: intermediária (fácil de lidar, mas exige recinto correto e compromisso de décadas)
- Legalidade no Brasil: exótica; permitida apenas com procedência de criadouro/importador autorizado pelo IBAMA + documentação
- Faixa de preço (honesta): costuma passar de R$ 1.500 a R$ 4.000 o animal legalizado, quando disponível; some o custo do terrário, UVB e aquecimento
Quem é a tartaruga-russa e por que não confundir com o jabuti
A tartaruga-russa é originária das estepes secas da Ásia Central — Afeganistão, Cazaquistão, Uzbequistão, Irã e regiões vizinhas. É uma tartaruga terrestre (Testudinidae), de casco arredondado e achatado por cima, cor que varia do oliva ao castanho com manchas escuras. O nome popular “de quatro dedos” vem das quatro garras em cada pata dianteira, uma marca da espécie.
Muita gente confunde a tartaruga-russa com o jabuti, mas são coisas diferentes. O jabuti (Chelonoidis) é nativo do Brasil, bem maior e de clima tropical úmido. A tartaruga-russa é exótica, menor e adaptada ao seco e ao frio. E não tem nada a ver com a tartaruga-tigre-d’água (Trachemys), que é aquática e considerada invasora quando solta na natureza. Antes de comprar, vale entender o que é permitido: veja nosso guia sobre quais animais você pode ter segundo o IBAMA e navegue pelo hub de répteis do site.
Legalidade e documentação: o que o IBAMA exige
Por ser um animal exótico (não ocorre naturalmente no Brasil), a tartaruga-russa depende de importação e de reprodução em criadouros. Na prática, a oferta legal no país é limitada e o animal costuma ser caro e nem sempre disponível. Comprar de vendedor informal, de rede social ou “contrabandeado” é crime ambiental e alimenta o tráfico de fauna — além do risco de o animal chegar doente e sem procedência.
Para estar em situação regular, você deve adquirir de um criadouro comercial ou estabelecimento devidamente licenciado pelo IBAMA (ou pelo órgão ambiental estadual) e receber, no ato da compra:
- Nota fiscal com o número do microchip do animal;
- Certificado de Origem emitido pelo IBAMA, com os seus dados como proprietário;
- eventual documentação de importação (CITES/licença), quando aplicável.
Guarde tudo: essa documentação é o que comprova que a tartaruga é legalizada. As regras podem variar conforme o estado, então confirme sempre com o IBAMA ou o órgão ambiental do seu estado antes de comprar. Se o objetivo é simplesmente ter um réptil fácil e barato, saiba que a tartaruga-russa não é a opção mais econômica — vale comparar com a nossa lista de pets mais baratos e fáceis de cuidar.
Terrário e habitat: substrato para cavar, UVB e aquecimento
A tartaruga-russa é escavadora nata e vem de um clima seco e árido — o recinto precisa refletir isso. Terrários de vidro pequenos e úmidos são um erro comum; ela se dá muito melhor em recintos abertos e amplos, tipo caixote de madeira baixo (tartaruga-mesa) ou área externa protegida.
- Tamanho: para um adulto, mire pelo menos algo em torno de 1,2 m² de piso (por exemplo, 120 x 60 cm); quanto maior, melhor. Vários adultos exigem muito mais espaço.
- Substrato: camada funda (10 a 15 cm ou mais) de mistura seca que permita cavar — como terra de jardim sem adubo misturada a fibra de coco ou areia. Ela adora escavar tocas para se abrigar.
- Aquecimento: monte um gradiente de temperatura. Um ponto de basking aquecido de 35 a 38 °C (aprox. 90–100 °F) de um lado, e a área mais fria em torno de 22–25 °C do outro. À noite pode cair para a temperatura ambiente.
- UVB: como réptil herbívoro diurno, ela precisa de luz UVB para sintetizar vitamina D3 e absorver o cálcio. Use uma lâmpada UVB de boa marca, ligada de 12 a 14 horas por dia, e troque conforme a validade do fabricante.
- Umidade: ambiente seco no geral, mas ofereça sempre um pote raso de água limpa para beber e se molhar, além de um esconderijo úmido pequeno para ajudar na hidratação e na troca de pele.
Se mantiver a tartaruga em área externa, cuidado com fugas: ela cava com facilidade por baixo de muros e cercas, então enterre a barreira 15 a 30 cm no solo.
Alimentação: dieta herbívora, sem exagero de frutas
A tartaruga-russa é estritamente herbívora e sua dieta deve ser rica em fibras e pobre em açúcar e proteína animal. A base é a folhagem: mix de folhas verdes escuras e plantas comestíveis, como dente-de-leão, almeirão, escarola, couve (com moderação), trevo, tanchagem e ervas do campo (livres de agrotóxico). Flores comestíveis como hibisco e capuchinha são bem-vindas.
- Evite frutas em excesso: frutas doces causam diarreia e desequilíbrio de flora intestinal; ofereça, no máximo, raramente e em pouquíssima quantidade.
- Evite: ração de cão/gato, carne, laticínios, pão e vegetais ricos em oxalato ou goitrogênicos em grande quantidade.
- Cálcio: polvilhe suplemento de cálcio sobre a comida algumas vezes por semana e deixe um osso de siba (sépia) à disposição para roer. Isso, junto com o UVB, previne a doença óssea metabólica.
- Sempre água limpa disponível.
Saúde, hibernação e cuidados de rotina
Com manejo correto, a tartaruga-russa é robusta e vive décadas. Os problemas mais comuns vêm de erros de criação:
- Doença óssea metabólica (DOM): casco mole ou deformado por falta de cálcio e/ou UVB. É prevenível com dieta e iluminação corretas.
- Bico e unhas em excesso: podem crescer demais em dieta muito mole; folhas fibrosas e o osso de siba ajudam a desgastar. Correções devem ser feitas por veterinário.
- Problemas respiratórios: chiado, bolhas no nariz e apatia costumam surgir em ambiente frio e úmido demais — procure um veterinário.
- Piramidização do casco: “montinhos” no casco associados a excesso de proteína e baixa umidade nos filhotes.
Hibernação (brumação): na natureza, a tartaruga-russa hiberna por vários meses no inverno. Em cativeiro ela não precisa hibernar para ser saudável — mantida aquecida e iluminada o ano todo, segue ativa normalmente. A hibernação induzida só deve ser feita por criadores experientes, com o animal saudável, em pesagem e temperatura controladas; feita errado, é perigosa. No clima brasileiro, na dúvida, o mais seguro é manter a tartaruga ativa e aquecida. Consulte sempre um veterinário de silvestres antes de tentar.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico-veterinário especializado em animais silvestres/exóticos.
Você cria ou pensa em criar uma tartaruga-russa? Conte sua experiência nos comentários e ajude outros tutores.
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Perguntas frequentes sobre a tartaruga-russa
Tartaruga-russa é a mesma coisa que jabuti?
Não. O jabuti é nativo do Brasil, tropical e maior. A tartaruga-russa (Testudo horsfieldii) é exótica, da Ásia Central, menor e adaptada a clima seco e frio. São espécies e manejos diferentes.
É legal ter tartaruga-russa no Brasil?
Sim, desde que o animal venha de criadouro/importador autorizado pelo IBAMA, com nota fiscal, microchip e Certificado de Origem em seu nome. Comprar de fonte informal é crime ambiental. Confirme as regras com o IBAMA ou o órgão ambiental do seu estado.
A tartaruga-russa precisa hibernar?
Não em cativeiro. Mantida aquecida e com UVB o ano todo, ela permanece ativa e saudável. A hibernação induzida é opcional, arriscada se feita errada e deve ficar a cargo de criadores experientes com acompanhamento veterinário.
O que a tartaruga-russa come?
Dieta 100% herbívora e fibrosa: folhas verdes escuras, ervas do campo e flores comestíveis, sem agrotóxico. Evite frutas em excesso e nunca dê carne ou ração de cão/gato. Suplemente cálcio e ofereça osso de siba.
Mais guias de répteis: Jabuti • Cágado • Tartaruga tigre-d’água.


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