A doença renal crônica em gatos é uma das enfermidades mais frequentes entre os felinos idosos e uma das que mais engana os tutores. Segundo o Centro de Saúde Felina da Universidade Cornell, ela atinge até 40% dos gatos com mais de 10 anos e chega a 80% dos gatos com mais de 15 anos. O problema é que, no começo, o gato costuma parecer perfeitamente saudável.
Isso acontece porque os rins têm uma enorme reserva funcional. Nos estágios iniciais, o organismo compensa a perda e não há sintomas evidentes; os sinais só aparecem quando a doença já avançou. Por isso ela é chamada de “doença silenciosa” e, muitas vezes, só é descoberta em consultas de rotina ou quando o quadro está adiantado.
Os rins filtram o sangue, eliminam toxinas na urina, controlam a pressão arterial, equilibram sais minerais e ajudam na produção de glóbulos vermelhos. Quando falham aos poucos, todos esses sistemas ficam comprometidos, o que explica a variedade de sinais que o tutor pode observar em casa.
De acordo com a Cornell, o único fator de risco bem estabelecido para a doença renal crônica em gatos é a idade. Algumas raças têm predisposição, mas, na maioria dos casos, trata-se de um desgaste ligado ao envelhecimento. Isso reforça a importância de acompanhar de perto a saúde dos felinos a partir da meia-idade.
Entre os sinais de alerta que merecem uma ida ao veterinário estão:
- Aumento da sede e do volume de urina (o gato esvazia a caixa de areia com mais frequência);
- Perda de apetite e emagrecimento progressivo;
- Apatia, prostração e pelagem descuidada, sem brilho;
- Vômitos, mau hálito e desidratação;
- Gengivas pálidas (sinal de anemia) e pressão alta, que afeta cerca de 60% dos gatos com a doença.
Índice:
Como é feito o diagnóstico da doença renal crônica em gatos
O diagnóstico combina exames de sangue e de urina. No sangue, dosam-se a ureia (BUN) e a creatinina — mas atenção: a creatinina só se eleva quando cerca de 75% da função renal já foi perdida. Por isso ganhou espaço a SDMA, um marcador mais sensível, que já se altera com aproximadamente 40% de perda de função e sofre menos interferência da desidratação e da massa muscular do gato, permitindo o diagnóstico precoce.
Na urina, avaliam-se a densidade urinária (que fica baixa quando o rim perde a capacidade de concentrar a urina) e a relação proteína/creatinina. Com esses resultados, o veterinário classifica a doença nos estágios de 1 a 4 do sistema IRIS (International Renal Interest Society), sempre com o gato bem hidratado e estável. Quanto mais cedo no estágio, melhor o prognóstico. Levar o pet ao veterinário para exames periódicos, como já orientamos no conteúdo sobre check-ups e vacinação de cães e gatos, é o que torna esse diagnóstico precoce possível.
Tratamento e dieta renal: o que aumenta a sobrevida
Não existe cura, mas há muito a fazer para dar qualidade e tempo de vida ao gato. A intervenção de maior impacto é a alimentação: a dieta terapêutica renal, com restrição controlada de proteína, fósforo e sódio, é o pilar do tratamento. Estudos citados pela Cornell mostram que gatos alimentados com uma dieta renal de prescrição vivem de duas a três vezes mais do que os que seguem dieta comum. Vale lembrar que essa é uma ração específica indicada pelo veterinário — diferente da alimentação para gatos saudáveis do dia a dia.
O tratamento também pode incluir hidratação por fluidoterapia (subcutânea ou intravenosa) e medicamentos, como a telmisartana para controlar a pressão arterial e fármacos que estimulam a produção de glóbulos vermelhos nos casos de anemia. Manter o gato bem hidratado, com água fresca sempre disponível, e evitar sobrepeso ajudam no manejo — a propósito, vale conferir também nosso alerta sobre obesidade em cães e gatos, outro fator que agrava doenças crônicas.
O prognóstico depende do estágio e da resposta ao tratamento: gatos diagnosticados no estágio 2 do IRIS têm sobrevida média de dois a três anos, enquanto no estágio 4 a expectativa cai para menos de seis meses. Ou seja, quanto antes o problema for identificado, maiores as chances de o felino viver bem por muito tempo. Cuidados extras com felinos idosos, como os que reunimos no texto sobre proteção de pets idosos, completam o manejo.
Se o seu gato tem sete anos ou mais, converse com o veterinário sobre exames de rotina periódicos de sangue e urina. É o jeito mais eficaz de flagrar a doença renal crônica antes que ela dê as caras.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário.
Fonte: Cornell Feline Health Center — Chronic Kidney Disease.


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