Ele deita ao seu lado, apoia a cabeça na sua perna e espera. Você continua rolando o feed. A cena é banal — e, segundo especialistas em comportamento animal, tem consequência. Em entrevista publicada nesta terça-feira (5) pelo Portal Cães e Gatos, a médica-veterinária e zootecnista Letícia Tchmola, pós-graduada em Comportamento e Bem-estar Animal, descreve o que vê no consultório quando a atenção do tutor migra para a tela.
Importante deixar claro de saída: não se trata de um estudo com amostra e estatística, e sim de uma leitura clínica de quem atende casos de comportamento. É um alerta profissional, não um resultado de pesquisa.
Índice:
O que muda no cão e no gato quando o excesso de telas entra na rotina
De acordo com a especialista, a redução da interação por conta do tempo de tela favorece “problemas comportamentais, como destruição de objetos, latidos excessivos” e quadros compulsivos. A falta de atenção pode levar o animal a desenvolver “ansiedade, estresse e até depressão”.
O detalhe mais útil está na diferença entre as espécies:
- Cães dão sinais escancarados — vocalizam, destroem, seguem o tutor, insistem em chamar atenção. É desconfortável, mas é fácil de perceber;
- Gatos adoecem em silêncio — a especialista cita alterações físicas ligadas ao estresse, como a cistite. O gato não reclama: ele passa a fazer xixi fora da caixa, ou com esforço e sangue;
- Estresse crônico cobra o preço no corpo, podendo favorecer o desenvolvimento de doenças físicas.
Esse contraste explica por que tanto tutor de gato só descobre o problema quando ele já virou emergência urinária. Vale entender de antemão como o felino sinaliza desconforto — e como o cão sinaliza, no nosso guia de linguagem corporal do cachorro.
Como reorganizar a rotina sem virar refém da culpa
A recomendação da veterinária não é heroica, é logística. Em vez de tentar “usar menos o celular”, a ideia é proteger blocos de interação e dar ao animal o que fazer no resto do tempo:
- organizar a rotina com “passeios, brincadeiras, treinos, enriquecimento ambiental” em horários definidos;
- oferecer “brinquedos recheáveis ou próprios para roer” justamente durante os períodos de uso de telas — o animal ocupa a cabeça enquanto você trabalha ou descansa;
- priorizar a interação antes dos períodos em que você costuma ficar diante da tela, e não depois. Cão cansado e satisfeito não cobra.
Há um contraponto interessante nessa conversa: a presença do animal, quando há interação de fato, é justamente o que faz bem aos dois lados. Um estudo que acompanhou 188 tutores em tempo real mostrou que pets melhoram o humor — mas o efeito depende do encontro acontecer. Já quando a energia não encontra saída, o resultado pode ser o que aparece em casos de ansiedade de separação em cães ou até em padrões obsessivos, como no caso dos cães viciados em bolinha.
Quanto tempo de atenção de verdade seu pet recebeu hoje? Conte nos comentários — e diga qual truque de enriquecimento funciona na sua casa.
Aviso: este conteúdo é informativo e jornalístico e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Sinais de doença, dúvidas sobre exames, medicamentos ou mudanças de rotina devem ser avaliados presencialmente por um profissional habilitado. Informações sobre saúde humana não substituem a avaliação de um médico.
Fonte: Portal Cães e Gatos — entrevista com a médica-veterinária Letícia Tchmola, publicada em 5 de agosto de 2026 — ver publicação original.


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