Eles estão na panela antiaderente, na embalagem à prova de gordura, no tecido impermeável e na espuma de combate a incêndio. São os PFAS — substâncias per e polifluoroalquiladas, apelidadas de “químicos eternos” porque praticamente não se degradam no ambiente nem no corpo. E, segundo um novo estudo, eles estão também no sangue de quase todo cão e gato testado.
A pesquisa foi conduzida por equipes da Universidade de Bolonha (Itália) e da Universidade de Utrecht (Países Baixos), com amostras coletadas entre 2021 e 2025, e foi aceita para publicação em 31 de julho de 2026 na revista Frontiers in Veterinary Science.
Índice:
O que os pesquisadores mediram
Foram 263 animais no total, divididos entre saudáveis e doentes:
- 179 cães — 23 saudáveis, 64 com hipercortisolismo dependente de hipófise, 16 com hiperparatireoidismo primário e 85 com tumores adrenais;
- 84 gatos — 35 saudáveis e 49 com hipertireoidismo;
- 11 PFAS analisados por cromatografia líquida acoplada a espectrometria de massas; oito foram detectados nos cães e nove nos gatos.
As taxas de detecção impressionam: PFOS em 99,5% dos cães e 99% dos gatos; PFOA em 68,5% dos cães e 96% dos gatos; PFHxS em 69% dos cães. Cães de Utrecht apresentaram concentrações de PFOS maiores que os de Bolonha, o que sugere um componente geográfico na exposição.
O achado que evita o alarmismo — e por que ele importa
Seria fácil transformar isso em manchete de pânico. O próprio estudo não permite. Depois de ajustar os dados pela idade dos animais, os autores registram que “nenhum PFAS foi independentemente associado ao status de doença em nenhuma das espécies”. A explicação é metodológica: os animais doentes eram, em média, mais velhos que os saudáveis — e o estudo encontrou uma correlação negativa fraca entre a soma de PFAS e a idade (r = −0,206 nos cães; r = −0,234 nos gatos). Isto é: os animais mais velhos tinham menos PFAS circulando, não mais.
A conclusão dos autores é sóbria: a exposição é generalizada nas duas espécies, e são necessários estudos longitudinais com populações minimamente expostas para esclarecer as implicações à saúde.
Por que cães e gatos interessam tanto a essa pesquisa
Cão e gato dividem o sofá, o chão, a poeira doméstica e a água da casa com a gente — e vivem menos. Isso os torna sentinelas úteis: doenças ligadas ao ambiente aparecem neles em uma escala de tempo mais curta que a humana. O hipertireoidismo felino, aliás, é uma das condições mais estudadas nesse contexto justamente por ter se tornado comum em poucas décadas — se você tem um gato idoso que come muito e emagrece, vale ler nosso texto sobre hipertireoidismo em gatos.
Não há, neste estudo, nenhuma recomendação de mudança de rotina para o tutor — e desconfie de quem usar a manchete para vender “detox” de pet. O que existe de sólido para fazer hoje continua sendo o básico: acompanhamento veterinário periódico e atenção aos sinais precoces das doenças que realmente aparecem na clínica, como as descritas nas novas diretrizes do IRIS para doença renal crônica e no acompanhamento da nutrição de cães e gatos idosos.
E você, já mediu isso no seu pet? Conte sua experiência nos comentários — outros tutores leem e aprendem com relatos reais.
Aviso: este conteúdo é informativo e jornalístico e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Sinais de doença, dúvidas sobre exames, medicamentos ou mudanças de rotina devem ser avaliados presencialmente por um profissional habilitado. Informações sobre saúde humana não substituem a avaliação de um médico.
Fonte: Frontiers in Veterinary Science — “An investigation of per- and polyfluoroalkyl (PFAS) concentrations in dogs and cats with endocrine disorders” (Universidades de Bolonha e Utrecht), aceito em 31 de julho de 2026 — ver publicação original.


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