Proteger o cão contra a leishmaniose sem vacina virou a realidade dos tutores brasileiros. A Leish-Tec, produzida pela Ceva Saúde Animal e por anos a única imunização licenciada no país contra a leishmaniose visceral canina, continua fora do mercado. O Mapa suspendeu a fabricação, a venda e o uso do produto em maio de 2023 e, em 2026, três anos depois, não há comunicado oficial sobre uma data de retomada. O detalhe pesa porque o Brasil concentra a maior carga de leishmaniose visceral das Américas, e várias cidades seguem em alerta epidemiológico.
A suspensão foi motivada por uma fiscalização que identificou lotes com teor da proteína A2 abaixo do mínimo licenciado — componente ligado à eficácia da vacina. Segundo o Ministério, o achado comprometeria a proteção esperada e poderia gerar uma falsa sensação de segurança em cães vacinados. Junto com a suspensão, o órgão determinou o recolhimento dos lotes envolvidos. Para voltar a comercializar o imunizante, a fabricante precisa comprovar estabilidade, eficácia clínica e os ajustes técnicos exigidos.
Na prática, o tutor precisa entender que o alvo da prevenção não é o parasita em si, mas o inseto que o transmite: o mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis), vetor da Leishmania infantum. Sem vacina disponível, bloquear a picada é o que sobra — e, felizmente, existem ferramentas com boa evidência para isso.
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Prevenção da leishmaniose sem vacina: o que funciona
A recomendação de referência é a coleira repelente com deltametrina, que afasta e mata o mosquito-palha antes da picada. Materiais de orientação veterinária descrevem proteção na faixa de 80% a 95% contra as picadas do vetor, desde que a coleira seja usada de forma contínua e trocada dentro do prazo — em geral a cada quatro a seis meses. É uma barreira química que, sozinha, já reduz muito o risco, mas rende mais quando combinada com outras medidas.
Além da coleira, o controle do ambiente e as barreiras físicas fazem diferença. Entre as ações mais citadas por veterinários estão:
- Coleira com deltametrina em uso contínuo, respeitando o prazo de troca indicado na embalagem;
- Telas de malha fina e mosquiteiros em canis, casinhas e áreas onde o cão dorme, para impedir a entrada do inseto;
- Evitar a exposição no horário do mosquito-palha, que tem pico de atividade no fim da tarde e à noite;
- Controle ambiental: recolher matéria orgânica (folhas, restos de comida, fezes) do quintal, que serve de criadouro para o vetor;
- Pipetas de uso tópico com repelente, aplicadas conforme a orientação do rótulo e do veterinário;
- Teste sorológico anual em áreas endêmicas, para diagnóstico precoce.
Esse cuidado com o vetor conversa diretamente com outras rotinas antiparasitárias do cão. As mesmas atitudes de higiene ambiental e proteção contra ectoparasitas que ajudam no controle de pulgas e carrapatos no cachorro reforçam a defesa contra o mosquito-palha. E, como acontece com a doença do carrapato, vigiar sinais precoces é decisivo: quanto antes o problema é identificado, melhor o desfecho.
Diagnóstico precoce e acompanhamento veterinário
Em regiões de alerta, o teste sorológico anual — normalmente o teste rápido DPP seguido de ELISA para confirmação — é a principal ferramenta de rastreio, porque o cão infectado pode ficar muito tempo sem sintomas aparentes. Quando aparecem, os sinais podem incluir apatia, perda de peso, feridas na pele (sobretudo no focinho e nas orelhas), crescimento anormal das unhas e aumento de órgãos como baço e fígado. Diante de qualquer um deles, a consulta veterinária é indispensável, e o diagnóstico exige exame laboratorial, não apenas observação.
Vale lembrar que a ausência da Leish-Tec não muda o restante do calendário de imunização do animal. As vacinas essenciais e a antirrábica seguem normalmente, e manter tudo em dia — como orienta o nosso calendário de vacinação de cães e gatos — continua sendo parte da proteção geral da saúde do cão. Para entender o quadro clínico completo, sinais e formas de manejo, vale aprofundar no guia sobre leishmaniose em cães, sintomas e prevenção.
Enquanto a vacina não volta às prateleiras, a mensagem dos veterinários é constante: prevenção integrada. Coleira repelente, barreiras físicas, controle do ambiente e testagem periódica formam, juntos, o escudo possível em 2026 — e todas essas medidas devem ser definidas com o médico-veterinário de confiança, considerando o risco da região onde o cão vive.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Diante de qualquer sinal de doença, procure um profissional.


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