Nova espécie de felino é descrita após 100 anos — e a pesquisa foi liderada por uma universidade brasileira

· Atualizado em

· por

nova espécie de felino

Resposta rápida: Sim, existe uma nova espécie de felino: o Leopardus tilcayo, um pequeno gato-do-mato das florestas de montanha da Bolívia. Descrito em 17 de setembro de 2026 na revista Current Biology, é o primeiro felino vivo formalmente descrito pela ciência em mais de 100 anos. O estudo foi liderado pelo geneticista Eduardo Eizirik, da PUCRS.

A lista de felinos do planeta ganhou um nome que ninguém esperava. Uma nova espécie de felino selvagem, batizada de Leopardus tilcayo, foi descrita por uma equipe internacional em artigo publicado em 17 de setembro na revista científica Current Biology. O último felino vivo a entrar para a ciência havia sido descrito em 1923.

O tilcayo vive nas Yungas, as florestas nubladas da encosta leste dos Andes bolivianos. O nome não foi inventado em laboratório: segundo a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), é o termo que as comunidades locais já usavam para o animal.

À primeira vista, ele parece só mais um gato-do-mato pintado. É pequeno — entre 42,5 e 50,5 centímetros de corpo, mais uma cauda de 25 a 26,5 cm, de acordo com a descrição divulgada — e tem pelagem castanho-clara coberta de rosetas escuras. As estimativas de peso publicadas na imprensa variam de cerca de 1,4 kg a 2,5 kg, sempre abaixo do de um gato doméstico adulto comum.

Como a nova espécie de felino foi identificada

A história começa com um filhote. De acordo com a PUCRS, o animal foi encontrado em 2016 na região de Nor Yungas e levado ao santuário La Senda Verde. Ele acabou se tornando o holótipo — o exemplar de referência — da espécie.

O que confirmou a suspeita foi o DNA. Os pesquisadores compararam genomas completos de 38 indivíduos do gênero Leopardus de várias partes da América do Sul, incluindo oito exemplares históricos guardados em museus da Europa e dos Estados Unidos, numa abordagem chamada de “museômica”.

  • Linhagem própria: o tilcayo se separou dos parentes mais próximos há cerca de 1,4 milhão de anos.
  • Espécies “crípticas”: Eizirik descreve esses gatos como muito parecidos por fora, mas geneticamente distintos e com histórias evolutivas independentes.
  • Família reorganizada: o grupo dos gatos-do-mato passa a ter cinco linhagens distintas, além do já reconhecido gato-do-mato-do-sul (Leopardus guttulus), que ocorre no Brasil.
  • Bônus no Peru: o estudo também descreve uma nova subespécie, Leopardus tigrinus antisuyo.

Além de Eizirik, participam do trabalho a bióloga boliviana Paola Nogales-Ascarrunz e o pesquisador Jonas Lescroart, da Universidade de Antuérpia, segundo a National Geographic Brasil.

Descoberto e já ameaçado

Ainda não se sabe quantos tilcayos existem. A PUCRS lista as ameaças: perda e fragmentação de habitat, caça, mudanças climáticas e a transmissão de doenças por animais domésticos. Esse último ponto conversa com o que já mostramos por aqui — o fungo da esporotricose já foi encontrado em animais silvestres, e gatos ferais pressionam a fauna nativa de várias formas.

Vale o lembrete: por mais que pareça um gatinho, felino silvestre não é pet. No Brasil, manter fauna nativa em casa sem autorização é crime ambiental — entenda em quais animais você pode ter em casa segundo o IBAMA. E, se a curiosidade é sobre os olhos que brilham na mata à noite, explicamos como os gatos enxergam no escuro.

Para a ciência, o recado é que ainda há mamíferos de médio porte por descrever — e que as gavetas dos museus podem guardar parte das respostas.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Em caso de dúvida sobre a saúde do seu animal, procure atendimento profissional.

Fonte: PUCRS; National Geographic Brasil; Sci.News.

ℹ️ Conteúdo informativo: este artigo não substitui orientação de um médico-veterinário.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

📈 Mais lidos