Durante décadas, pesquisadores estimaram o que um gato sem dono come abrindo seu estômago e identificando restos a olho nu — ossos, penas, pelos. O método funciona, mas tem um ponto cego: presas pequenas, raras ou muito digeridas simplesmente desaparecem da conta. Um trabalho publicado em 4 de agosto de 2026 mostrou o tamanho desse ponto cego.
A equipe da UNSW analisou o conteúdo estomacal de gatos abatidos no entorno da Wild Deserts, uma reserva cercada de conservação em Nova Gales do Sul, comparando a inspeção manual tradicional com a técnica de DNA metabarcoding — que identifica espécies a partir de fragmentos genéticos. É a primeira vez que métodos de DNA são aplicados ao estudo da dieta de gatos na Austrália, e um dos poucos casos no mundo.
O resultado foi consistente em duas frentes: o DNA não só encontrou mais espécies, como as encontrou dentro de mais gatos. Isso significa que essas presas estão sendo consumidas com frequência maior do que os números anteriores indicavam. A técnica se mostrou especialmente melhor para detectar presas raras e voadoras — e menos eficiente para alguns répteis.
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Gatos ferais: por que a contagem exata importa para a conservação
A Austrália tem cerca de 700 espécies animais sob risco de extinção, e pelo menos 200 delas são ameaçadas diretamente por gatos, ao lado de outras pressões como perda de hábitat e doenças. Estimativas anteriores já apontavam que gatos ferais matam mais de 1,5 bilhão de animais nativos por ano no país.
Saber quais espécies estão no cardápio, e não apenas quantas, muda a estratégia de proteção. Como resumiram os pesquisadores, não é possível cercar toda a Austrália — por isso é preciso identificar quais espécies correm mais risco para direcionar recursos a elas. O trabalho é assinado por Oliver Aylen, Katherine Moseby, Kylie Cairns e Rebecca West, e saiu no periódico Wildlife Research.
O que isso tem a ver com o gato que vive na sua casa
É importante separar as coisas: gatos ferais são animais sem dono, nascidos e criados longe do convívio humano, em populações que se sustentam sozinhas na natureza. Não é o mesmo que o gato doméstico que dorme no seu sofá. Ainda assim, o estudo reforça uma recomendação que veterinários brasileiros repetem há anos:
- Manter o gato em ambiente protegido reduz a pressão sobre aves e pequenos répteis da vizinhança.
- O confinamento seguro também protege o próprio gato de atropelamentos, brigas e doenças transmitidas em contato com animais de rua.
- Telas de proteção em janelas e varandas resolvem a maior parte do problema sem tirar qualidade de vida do animal.
- Castrar evita ninhadas não planejadas, que alimentam justamente as colônias de gatos sem dono.
Entre as doenças que circulam nesse contato de rua estão a FIV e a FeLV, duas infecções virais graves e sem cura. Se você quer ajudar a reduzir o número de gatos vivendo soltos, o caminho passa por castração e adoção responsável — o diretório de ONGs de proteção animal reúne organizações por região. Vale lembrar que, no Brasil, 8 em cada 10 pets adotados vêm da rua ou de conhecidos.
Aviso importante: este conteúdo é jornalístico e informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário para o seu animal, nem a orientação de um médico para questões de saúde humana. Diante de qualquer sinal clínico, procure atendimento profissional.


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