Se você já desconfiou que o papagaio chama pelo nome as pessoas da casa, a ciência tem uma resposta em duas partes: os dados são impressionantes, e os pesquisadores estão sendo deliberadamente cautelosos com eles.
A parte impressionante vem de um estudo publicado na revista PLOS One, que reuniu relatos de tutores sobre palavras e frases ditas por papagaios de companhia. Entre os 884 papagaios avaliados, 47% dos relatos incluíam exemplos de uso de nome — 413 aves, somando 802 frases em que um nome aparecia. Na prática, os tutores descreviam aves usando sons distintos para se referir a humanos específicos e até a outros animais da casa.
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Por que ainda não dá para dizer que o papagaio chama pelo nome como nós
Em julho de 2026, um artigo de revisão na Trends in Cognitive Sciences, assinado por Kelly Jaakkola (Dolphin Research Center, Flórida) e colegas, propôs três critérios mínimos para aplicar a qualquer espécie antes de afirmar que ela usa nomes:
- Referência individual: o som é dirigido a um indivíduo específico, e não ao grupo;
- Representação simbólica: o nome “está no lugar” daquele indivíduo na mente de quem o usa;
- Significado compartilhado: pelo menos dois indivíduos associam aquele som àquele indivíduo.
Aplicando a régua à evidência disponível, os autores concluíram que os golfinhos-nariz-de-garrafa têm hoje o caso mais forte — eles desenvolvem “assobios de assinatura” únicos e imitam o do parceiro quando querem interagir, exatamente como fazemos ao chamar alguém pelo nome. Elefantes, papagaios e sagois aparecem como candidatos promissores, mas ainda precisam de pesquisa sobre o critério da representação simbólica.
No caso dos elefantes, estudo conduzido por Michael Pardo, da Universidade Estadual do Colorado, mostrou que elefantes-africanos de savana emitem ruídos graves exclusivos para cada membro da manada — e que os animais andavam mais rápido em direção aos alto-falantes e respondiam mais quando ouviam o próprio “nome”. A pesquisadora Lauryn Benedict, da Universidade do Norte do Colorado, também integra a discussão sobre comunicação vocal em aves.
O que isso muda para quem tem uma ave em casa
Muda a leitura do convívio. Se a vocalização pode ter função de endereçamento — “estou falando com você” —, o silêncio prolongado, o grito repetitivo e a mudança de repertório deixam de ser barulho e passam a ser informação sobre o bem-estar do animal. Aves de companhia são extremamente sociais: responder à vocalização, manter rotina de interação e oferecer enriquecimento ambiental não é luxo, é necessidade comportamental.
Vale o lembrete legal: no Brasil, papagaios e demais aves silvestres nativas só podem ser mantidos quando adquiridos de criadouro autorizado pelo Ibama, com nota fiscal e anilha. Comprar fora disso alimenta o tráfico de animais silvestres, que segue movimentando apreensões no país.
Para quem está começando na criação legalizada, nossos guias trazem preço, manejo e temperamento de espécies comuns como o periquito-rei e a jandaia-sol — e há também o levantamento de quanto custa uma calopsita, incluindo enxoval e custo mensal.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Alterações súbitas de vocalização, apatia ou arrancamento de penas devem ser avaliados por um veterinário com experiência em animais silvestres.


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