Com a onda de frio que atinge boa parte do Brasil neste inverno, tutores voltam a se perguntar como proteger cães e gatos do frio dentro de casa. As baixas temperaturas exigem cuidados simples, mas que fazem diferença no bem-estar e na saúde dos animais — especialmente os mais vulneráveis. Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), pequenos ajustes no ambiente, na alimentação e na rotina de passeios ajudam os pets a atravessar os dias gelados com conforto e segurança.
A médica-veterinária Rosângela Ribeiro Gebara, integrante da Comissão de Bem-Estar Animal do CRMV-SP, lembra que a própria pelagem já é a primeira barreira contra o frio: “a pelagem por si só já é capaz de segurar a temperatura corporal”. Por isso, raças de pelo longo ou dupla camada nem sempre precisam de roupinha. Ainda assim, o conforto térmico do ambiente é decisivo para todos os animais durante o inverno.
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Como proteger cães e gatos do frio dentro de casa
O ponto de partida é a cama. O CRMV-SP recomenda elevar o local de descanso cerca de 4 cm do piso, usando plataformas de madeira, para evitar o contato direto com o chão frio. Camadas de papelão e jornal por baixo ajudam a manter o calor e a secura. À noite, vale transferir o animal para um cômodo fechado e coberto, forrando o espaço com cobertores extras ou um edredom antigo. Para os gatos, esconderijos feitos de caixas de papelão com mantas funcionam bem e agradam ao instinto felino.
Outros cuidados de ambiente e higiene recomendados nesta estação:
- Reduza a frequência de banhos em relação ao verão e use água morna, secando bem o pelo com toalhas logo em seguida.
- Ofereça roupinhas confortáveis, que não restrinjam o movimento, principalmente a cães de pelo curto, idosos ou debilitados.
- Mantenha caminhas e cobertores longe de correntes de ar e de pisos frios, usando tapetes grossos como isolamento.
- Ao voltar dos passeios, seque bem as patas e o pelo para prevenir problemas de pele.
A hidratação também merece atenção. No frio, muitos animais bebem menos água, então o CRMV-SP orienta deixar água fresca sempre disponível e oferecer alimentação úmida para estimular o consumo de líquidos. Na parte da nutrição, o conselho aponta que pode ser necessário aumentar a quantidade de ração em torno de 10% a 20%, ou migrar para fórmulas com mais proteína — sempre com orientação de um médico-veterinário, sobretudo para animais que vivem em áreas externas ou muito ativos.
Grupos de risco e doenças respiratórias que aumentam no frio
Nem todos os pets sentem o frio da mesma forma. Filhotes, animais idosos e os de pelo curto estão entre os mais suscetíveis a problemas causados pela queda de temperatura. O CRMV-SP acrescenta que animais diabéticos, cardíacos, com doença renal ou distúrbios hormonais têm mais dificuldade para regular a temperatura corporal e, por isso, precisam de acompanhamento mais próximo no inverno. Cães braquicefálicos — de focinho achatado, como buldogues e pugs — também costumam ser mais sensíveis a variações respiratórias e devem ser observados de perto. Manter a rotina de check-ups é parte importante da saúde canina e da saúde felina nesta época.
O inverno também está associado a maior risco de doenças respiratórias, complicações de artrite e até hipotermia. Entre as afecções que preocupam nesta estação está a tosse dos canis em cães, altamente contagiosa em ambientes com muitos animais. A prevenção passa pela vacinação em dia: o CRMV-SP reforça que cães devem receber a vacina múltipla (V8) e gatos a vacina tríplice — que protege contra rinotraqueíte, calicivirose e panleucopenia. Filhotes, idosos e animais que convivem com outros pets podem se beneficiar ainda da proteção contra a gripe canina. Conferir o calendário de vacinação de cães e gatos é o melhor caminho para não deixar nenhuma dose atrasar.
Nos passeios, a orientação é escolher os horários mais quentes do dia — final da manhã e início da tarde —, evitando o começo da manhã e o fim do dia, quando as temperaturas despencam. Também é recomendável encurtar a duração das saídas e evitar chuva e ventos fortes. Com atenção ao ambiente, à alimentação e aos sinais de cada animal, é possível proteger cães e gatos do frio e atravessar o inverno com tranquilidade.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Diante de qualquer sinal de doença, procure um profissional.
Fonte: CRMV-SP — Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo


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