Acariciar o gato num momento ruim pode não aliviar o estresse, sugere estudo

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acariciar o gato no colo
Resposta rápida: Um estudo da Open University (Holanda) sugere que interagir com cães e gatos melhora o humor no curto prazo, mas não reduz o impacto do estresse. Curiosamente, acariciar o gato justamente num momento ruim pode não ajudar — e, em alguns casos, a sensação ruim pareceu até maior. Os autores pedem cautela, porque a amostra de tutores de gatos era pequena.

Aquele afago rápido no pet quando o dia aperta realmente levanta o astral — mas talvez não seja o antídoto contra o estresse que muita gente imagina. É o que sugere um novo estudo da Open University, na Holanda, publicado em 2026 na revista científica Frontiers in Psychology. Em um achado que chamou atenção, os pesquisadores observaram que acariciar o gato num momento de tensão nem sempre acalma; em parte dos dados, a interação apareceu ligada a emoções mais negativas, e não menos.

Para chegar a isso, a equipe liderada pela pesquisadora Sanne Peeters, com Mayke Janssens como autora correspondente, usou uma técnica de avaliação em tempo real: por meio de um aplicativo no celular, os tutores recebiam cerca de dez notificações por dia, ao longo de cinco dias seguidos, e respondiam ali mesmo como estavam se sentindo e se haviam interagido com o animal naquele instante. O método evita depender só da memória e capta o humor “no calor do momento”.

Participaram 75 tutores de cães e 36 tutores de gatos, que juntos geraram cerca de 8 mil registros. A leitura geral foi positiva: interagir com o pet esteve associado a mais emoções boas e menos emoções ruins. Quanto maior o nível de interação, melhor tendia a ser o humor relatado naquele momento — tanto entre donos de cães quanto de gatos.

Por que o estudo questiona o efeito “anti-estresse” dos pets

O ponto delicado aparece quando os pesquisadores separaram duas coisas que costumam ser confundidas: melhorar o humor e amortecer o estresse. A hipótese popular — a de que o bicho funciona como um “para-choque” que absorve a tensão do dia — não se sustentou nos dados. Segundo os autores, o alívio momentâneo de bem-estar ao interagir com o pet não parece vir de um mecanismo de redução do estresse. Em outras palavras: o carinho anima, mas não neutraliza o peso de um dia difícil.

O caso dos felinos foi o mais curioso. Entre os tutores de gatos, um nível maior de interação em momentos de estresse apareceu associado a um vínculo mais forte entre o estresse e as emoções negativas — o oposto do efeito calmante esperado. Uma explicação levantada pelos próprios autores é que a companhia mais “passiva” típica do gato pode não corresponder ao tipo de apoio de que a pessoa precisa naquele instante. Se o gato se aninha no colo por vontade própria, ótimo; forçar um agrado num bicho que quer distância pode simplesmente aumentar a irritação.

  • Humor: interagir com cães e gatos foi associado a mais emoções positivas no curto prazo.
  • Estresse: a interação não funcionou como amortecedor do impacto do estresse.
  • Gatos sob tensão: mais interação em momentos ruins apareceu ligada a emoções mais negativas, não menos.
  • Cautela: foram só 36 tutores de gatos, e os autores pedem para interpretar esse ponto com reservas.

O que isso muda na rotina de quem tem gato

Antes de qualquer conclusão apressada, vale lembrar o que os próprios pesquisadores frisaram: os resultados sobre gatos devem ser lidos com cautela, porque a amostra de felinos era bem menor que a de cães e os achados não foram totalmente consistentes entre as análises. Ninguém está dizendo que gato faz mal — o estudo apenas questiona a ideia de que qualquer carinho, a qualquer hora, funciona como remédio contra o estresse.

Na prática, o recado é sobre leitura de sinais. Respeitar o momento do animal costuma render mais do que insistir num agrado: entender a forma como o gato prefere interagir ajuda a transformar o encontro em algo bom para os dois. Observar linguagem corporal, oferecer contato quando o bicho procura e recuar quando ele demonstra incômodo são atitudes simples que aparecem em qualquer bom guia de como cuidar do seu gato no dia a dia.

Também é importante não abandonar as próprias estratégias de autocuidado achando que o pet resolve tudo. O afeto pelo animal segue valioso — para o vínculo, para a companhia e para o humor —, mas cuidar da saúde felina e do próprio equilíbrio emocional são coisas que caminham lado a lado, não uma no lugar da outra. E, quando o gato claramente pede espaço, às vezes o melhor “carinho” é deixá-lo em paz — algo que quem convive de perto com esses animais, como se vê em tantas histórias de mulheres e seus gatos, aprende na base da convivência.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Diante de qualquer sinal de doença, procure um profissional.

Fonte: Medical Xpress — estudo da Open University na Frontiers in Psychology

ℹ️ Conteúdo informativo: este artigo não substitui orientação de um médico-veterinário.

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