57% dos veterinários dizem ter aprendido pouco sobre nutrição na faculdade — e isso chega à sua tigela

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nutrição de cães e gatos

Resposta rápida: Estudo publicado no JAVMA mostrou que 57% dos veterinários de pequenos animais tiveram pouca ou nenhuma formação em nutrição na graduação. A lacuna explica parte da divergência nas orientações sobre ração e dieta. Ao tutor cabe pedir justificativa clínica e cálculo de quantidade, não palpite.

Se você já saiu de duas consultas veterinárias com recomendações opostas sobre o que colocar na tigela, existe um dado que ajuda a explicar a confusão. Um estudo publicado no Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA) apontou que 57% dos veterinários de pequenos animais afirmaram ter recebido pouca ou nenhuma instrução formal em nutrição durante a graduação.

O número não é uma acusação à profissão — é um retrato de currículo. A nutrição de cães e gatos é uma especialidade densa, com bioquímica, fisiologia e formulação próprias, e historicamente ocupou pouco espaço na grade dos cursos de medicina veterinária, espremida entre clínica, cirurgia e diagnóstico por imagem. O resultado é que boa parte do que se aprende sobre alimentação acaba vindo depois, na prática ou em cursos de atualização.

Por que a lacuna em nutrição de cães e gatos importa tanto

Porque alimentação não é um detalhe periférico do cuidado veterinário: é uma das poucas variáveis que o tutor controla todos os dias, três vezes por dia, pela vida inteira do animal. E porque ela atravessa praticamente todas as áreas clínicas:

  • Prevenção e controle de peso — o excesso de peso é um dos problemas mais prevalentes na clínica de pequenos animais e agrava articulações, coração e metabolismo.
  • Alergias e dermatologia — dietas de eliminação são ferramenta diagnóstica, não modismo.
  • Saúde intestinal e urinária — dieta terapêutica muda desfecho em doença renal, cistite e diarreia crônica.
  • Envelhecimento saudável — necessidades proteicas e calóricas mudam com a idade e com a doença de base.

Sem base sólida, a orientação nutricional tende a ser preenchida por outras fontes: marketing de fabricante, grupo de rede social, opinião de conhecido. É nesse vácuo que prosperam tanto a dieta caseira improvisada sem cálculo quanto a troca de ração por impulso.

O que está sendo feito — e o que o tutor pode fazer

No Brasil, a foodtech Quinta Pet lançou em julho de 2026 o Portal do Veterinário, plataforma gratuita de educação continuada com aulas, estudos de caso, artigos científicos e entrevistas, organizada em módulos de nutrição, gastroenterologia, nefrologia, endocrinologia, medicina integrativa e oncologia. “O veterinário encontra conhecimento, atualização científica, referências, esclarecimento de dúvidas e ferramentas práticas para ajudar na tomada de decisão”, disse Fernanda Lenzi, codiretora da iniciativa. O primeiro módulo deve ser concluído em novembro.

Do lado do tutor, três atitudes rendem mais do que trocar de marca por conta própria:

  • Pergunte o porquê. Uma boa recomendação nutricional vem com justificativa clínica — o quadro do animal, a fase da vida, o objetivo. “Essa é boa” não é justificativa.
  • Peça cálculo, não estimativa. A quantidade diária deve sair de conta de necessidade energética e do peso-alvo, não do olhômetro nem só da tabela da embalagem.
  • Procure especialista quando o caso pedir. Existem veterinários com formação específica em nutrição clínica, e casos de doença renal, alergia alimentar ou obesidade resistente se beneficiam muito dessa consulta.

Se o seu animal está acima do peso, o guia sobre obesidade em cães e gatos mostra como avaliar o escore corporal em casa antes mesmo da consulta. Se o problema é o contrário e ele parou de comer, vale entender as causas possíveis em cachorro não quer comer. E quem quer saber o que efetivamente entra na ração industrial encontra contexto na reportagem sobre o novo limite de aflatoxina definido pelo Mapa.


Este conteúdo é informativo e jornalístico e não substitui a consulta a um médico-veterinário — para questões de saúde humana, procure um médico. Diagnóstico, prescrição e acompanhamento só podem ser feitos presencialmente por profissional habilitado, que conhece o histórico do seu animal.

Fonte: Jornal Correio — 57% dos veterinários relatam pouca formação em nutrição de cães e gatos

ℹ️ Conteúdo informativo: este artigo não substitui orientação de um médico-veterinário.

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