A ideia de que o gato só se aproxima do dono quando quer comida pode estar com os dias contados. Um estudo científico conduzido por pesquisadores da Oregon State University sugere que, na média, os gatos preferem a interação humana a qualquer outra recompensa oferecida, incluindo petiscos. O trabalho ajudou a desmontar o estereótipo do felino frio e desinteressado pelas pessoas.
Publicado em 2017 na revista científica Behavioural Processes, o estudo “Social interaction, food, scent or toys? A formal assessment of domestic pet and shelter cat preferences”, assinado por Kristyn R. Vitale Shreve, Lindsay R. Mehrkam e Monique A. R. Udell, avaliou 38 gatos divididos em dois grupos: 19 animais de estimação, que viviam em casas, e 19 gatos de abrigo. A intenção era medir, de forma controlada, o que cada gato realmente prefere quando pode escolher.
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Como o estudo mediu o que os gatos preferem
Os pesquisadores usaram um método chamado avaliação de preferência por operante livre. Na prática, cada gato passava por um período de privação e depois era exposto a estímulos de quatro categorias diferentes, para ver em qual delas escolhia gastar mais tempo. As categorias testadas foram:
- Interação social com humanos (conversa, carinho, brincadeira com a pessoa);
- Comida (diferentes petiscos);
- Brinquedos (objetos com movimento e som);
- Cheiros (aromas como catnip e o odor de outro animal).
Dentro de cada categoria, o gato primeiro escolhia seu item favorito. Depois, os quatro campeões eram apresentados ao mesmo tempo, para revelar a preferência geral do animal. O resultado surpreendeu quem esperava ver a comida no topo: segundo o estudo, a interação social com humanos foi a categoria mais preferida pela maioria dos gatos, seguida pela comida. E isso valeu tanto para os gatos de casa quanto para os de abrigo. Cerca de metade dos gatos escolheu interagir com uma pessoa acima de tudo, e o grupo passou, em média, 65% do tempo em interação com o ser humano.
Por que muita gente acha que gatos preferem comida a interação humana
Se os gatos preferem a interação humana, por que tantos tutores têm a impressão oposta? Os próprios autores apontam que o gato tem uma comunicação mais sutil e menos escancarada que a do cão, o que faz o interesse do felino passar despercebido. Reconhecer os sinais de afeto exige atenção aos detalhes do comportamento animal e à linguagem corporal de cada bicho.
Essa leitura mais fina ganhou reforço científico nos anos seguintes. Um estudo de 2019 da mesma linha de pesquisa, publicado na Current Biology por Vitale, Behnke e Udell, aplicou aos gatos o mesmo teste de apego usado com bebês humanos e cães. O resultado: cerca de 65% dos gatos demonstraram apego seguro ao tutor, taxa parecida com a dos cães e das crianças. Outras pesquisas mostram ainda que os felinos são atentos às pessoas de formas inesperadas, como quando reconhecem o próprio nome e as expressões faciais ao redor.
Para o tutor, a mensagem prática é direta: dedicar tempo de qualidade ao gato, com brincadeira e carinho, tende a ser tão ou mais valorizado pelo animal do que um petisco extra. Observar como o seu gato responde a esses momentos também é uma forma de perceber se ele está feliz e com bem-estar em dia. A ciência, ao menos, sugere que a companhia humana pesa mais na balança felina do que a lenda popular fazia crer.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Diante de sinais de doença, procure um profissional.
Fonte: Vitale Shreve, Mehrkam & Udell (2017), Behavioural Processes — Oregon State University


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