Resposta rápida: O Agosto Verde Claro começa em 1º de agosto e reúne quatro doenças graves — leishmaniose, PIF, FIV e FeLV. Três atingem só gatos; a leishmaniose é zoonose e também afeta cães e pessoas. Nenhuma tem cura fácil, mas todas têm prevenção possível: testar, proteger contra vetores e manter a vacinação em dia.
Começa neste sábado, 1º de agosto, o Agosto Verde Claro — a campanha nacional que, mês a mês, tem ganhado espaço nas agendas de conselhos de medicina veterinária, prefeituras e clínicas de todo o Brasil. Nascida como um mês dedicado exclusivamente à leishmaniose visceral, a mobilização foi ampliada e hoje reúne quatro doenças que têm algo em comum: são graves, mudam a vida do animal (e do tutor) e dependem muito mais de prevenção do que de tratamento.
As quatro são a leishmaniose, a PIF (peritonite infecciosa felina), a FIV (imunodeficiência viral felina) e a FeLV (leucemia viral felina). Três delas atingem exclusivamente gatos; a leishmaniose atinge cães, gatos e também pessoas — e é justamente por isso que o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás (CRMV-GO) destaca a campanha como uma pauta de saúde pública, não só de saúde animal.
Índice:
Por que o Agosto Verde Claro reúne quatro doenças diferentes
A escolha não é aleatória. As quatro compartilham um roteiro parecido: sintomas que demoram a aparecer, diagnóstico que depende de exame laboratorial (não de “achismo”), e um período longo em que o animal já está infectado sem que ninguém perceba. É esse intervalo silencioso que a campanha quer encurtar.
- Leishmaniose: transmitida pela picada do mosquito-palha, é uma zoonose — ou seja, circula entre animais e pessoas. Emagrecimento, feridas que não cicatrizam, unhas compridas demais e queda de pelo ao redor dos olhos estão entre os sinais clássicos.
- PIF: causada por uma mutação do coronavírus felino. Por muitos anos foi considerada quase sempre fatal, cenário que começou a mudar com a chegada de antivirais.
- FIV: transmitida sobretudo por brigas e mordidas entre gatos, ataca o sistema imunológico. Gatos machos, não castrados e com acesso à rua são o grupo de maior risco.
- FeLV: transmitida por contato próximo (saliva, tigelas compartilhadas, lambedura mútua), é a que mais preocupa em casas com vários gatos.
Vale um alerta contra o pânico: FIV e FeLV não são a mesma coisa, não têm o mesmo prognóstico e nenhuma das duas é sentença de abandono. Um gato FIV positivo, mantido dentro de casa e bem acompanhado, pode viver muitos anos com boa qualidade de vida. Se você tem dúvida sobre a diferença entre elas, vale ler o guia sobre FIV e FeLV em gatos, que detalha sintomas, formas de transmissão e a rotina de cuidado de cada caso.
O que fazer na prática durante a campanha
A parte útil do Agosto Verde Claro não é a cor da iluminação nos prédios públicos — é o empurrão para tirar da gaveta o que ficou pendente. Três atitudes concentram quase todo o ganho:
- Testar. Gatos que chegaram há pouco em casa, que tiveram acesso à rua ou que vivem com outros felinos deveriam ser testados para FIV e FeLV. É um exame de sangue rápido, feito na própria clínica.
- Proteger contra vetores. No caso da leishmaniose, a coleira repelente e as telas em janelas são as barreiras que realmente funcionam contra o mosquito-palha, sobretudo em regiões endêmicas. O tema ficou ainda mais sensível em 2026, ano em que a vacina brasileira segue indisponível — situação que detalhamos na reportagem sobre como proteger o cão da leishmaniose sem vacina.
- Colocar a carteirinha em dia. Nenhuma das quatro doenças da campanha é resolvida só com vacina, mas um animal com o protocolo básico em dia adoece menos e chega mais forte a qualquer diagnóstico. O calendário de vacinação de cães e gatos mostra o que é esperado em cada idade.
A leishmaniose merece um parágrafo à parte porque é a única das quatro que atravessa a barreira entre espécies. O cão infectado não transmite a doença diretamente para o tutor — quem faz a ponte é sempre o mosquito. Ainda assim, controlar a doença no animal é uma peça central da vigilância em saúde. Quem quiser entender esse mecanismo com calma encontra a explicação completa no guia sobre leishmaniose em cães e no material sobre zoonoses.
Ao longo de agosto, muitos municípios aproveitam a campanha para concentrar ações: palestras em escolas, distribuição de material educativo, testagem rápida canina e mutirões de vacinação. Vale checar o calendário da prefeitura e do centro de zoonoses da sua cidade — boa parte dessas ações é gratuita e não exige agendamento.
Este conteúdo é informativo e jornalístico e não substitui a consulta a um médico-veterinário — para questões de saúde humana, procure um médico. Diagnóstico, prescrição e acompanhamento só podem ser feitos presencialmente por profissional habilitado, que conhece o histórico do seu animal.
Fonte: CRMV-GO — Agosto Verde Claro: conscientização sobre a leishmaniose visceral


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