Chamar o veterinário em casa deixou de ser exceção — especialmente para gatos, que costumam entrar em pânico dentro da caixa de transporte, e para animais idosos com dificuldade de locomoção. O que faltava era regra clara. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) publicou a Resolução nº 1.690/2026, que regulamenta o atendimento veterinário domiciliar de animais de pequeno porte em todo o país, definindo critérios técnicos, responsabilidades, limites de atuação e boas práticas.
A norma também deixa explícito que o atendimento domiciliar é atividade exclusiva de médicos-veterinários regularmente inscritos no Sistema CFMV/CRMVs — o que fecha a porta para prestadores sem habilitação.
Índice:
O que o atendimento veterinário domiciliar permite
Estão liberados na casa do tutor procedimentos de baixa complexidade e baixo risco:
- identificação do animal, anamnese e exame físico;
- vacinação;
- suturas superficiais;
- drenagem de abscessos;
- coleta de material biológico para exames.
O que fica proibido fora da clínica
A resolução veda expressamente, no domicílio:
- cirurgias;
- anestesia geral — com exceção da eutanásia;
- coletas complexas, como a liquórica e a de derrames cavitários;
- administração de quimioterápicos injetáveis;
- transfusões de sangue;
- cateterismos profundos.
A lógica é simples: nenhum desses procedimentos tem, numa sala de estar, o suporte necessário se algo sair errado — oxigênio, monitorização, equipe e material de emergência. Se alguém oferecer castração em casa, por exemplo, isso está fora da norma.
O que você deve exigir do profissional
A resolução impõe obrigações que o tutor pode e deve conferir:
- prontuário físico ou eletrônico, datado e assinado, para cada atendimento;
- termo de consentimento informado;
- Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) — o descarte de agulhas e material contaminado não pode ir para o lixo comum da sua casa;
- transporte de medicamentos em “unidades de refrigeração portáteis exclusivas, contendo termômetro”;
- responsabilidade integral do médico-veterinário pelo procedimento.
Aquele detalhe da caixa térmica com termômetro parece burocrático, mas não é: vacina que perdeu a cadeia de frio pode simplesmente não funcionar. Se o profissional chegar com as doses numa sacola comum, é um sinal de alerta — vale conferir depois o calendário de vacinação do seu cão ou gato e discutir a necessidade de repetir a dose.
O movimento acompanha outras mudanças recentes no acesso a cuidados veterinários, como a discussão sobre venda de remédio de pet em farmácia comum. E vale a regra de sempre: antiparasitários e vermifugação só com prescrição de quem examinou o animal.
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Este conteúdo é informativo e jornalístico. Ele não substitui a consulta a um médico-veterinário para o seu animal, nem a orientação de um médico para questões de saúde humana. Diante de qualquer sinal clínico, procure atendimento profissional.


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