O alerta emitido pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) reacendeu uma dúvida antiga entre tutores: qual é, afinal, o papel da febre maculosa em cães? O estado contabiliza 19 casos confirmados e 18 óbitos pela doença em 2026, e o vetor é justamente o parasita que muitos tutores já encontraram no pelo do próprio animal — o carrapato-estrela.
A febre maculosa é causada por uma bactéria transmitida ao ser humano pela picada de carrapatos infectados. Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), o transmissor no Brasil é o Amblyomma sculptum, o popular carrapato-estrela, encontrado em animais como capivaras, cavalos e cães.
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Febre maculosa em cães: eles adoecem ou só transportam o carrapato?
Este é o ponto que mais gera confusão. De acordo com o CRMV-RJ, os cães não transmitem a doença diretamente às pessoas — mas podem levar carrapatos infectados para dentro de casa depois de um passeio em área de mato, parque ou terreno com vegetação alta. O mesmo vale para a capivara, que participa do ciclo de vida do carrapato sem transmitir a bactéria diretamente ao ser humano.
Ou seja: o risco não está no contato com o cachorro em si, e sim no carrapato que ele pode trazer no pelo. É por isso que o controle antiparasitário deixa de ser só uma questão de conforto do animal e vira medida de saúde pública. Vale lembrar que os carrapatos também transmitem aos próprios cães outras enfermidades — é o caso da doença do carrapato em cães, que tem sinais e prevenção próprios.
Onde estão os casos em São Paulo
Os casos confirmados em 2026 se concentram em regiões monitoradas pelos Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVE). A distribuição divulgada pela SES-SP é a seguinte:
- Campinas: 5 casos e 4 óbitos
- Piracicaba: 3 casos e 3 óbitos
- Sorocaba: 3 casos e 3 óbitos
- Santo André: 1 caso e 1 óbito
- São José dos Campos: 1 caso e 1 óbito
- Demais registros: em investigação
Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e lembrar uma virose forte: febre, dor de cabeça intensa, dores no corpo e nas articulações e cansaço. As manchas avermelhadas que dão nome à doença aparecem, em geral, entre o terceiro e o quinto dia. O tratamento é oferecido pelo SUS, com antibióticos específicos, e a orientação das autoridades é começar o quanto antes — quanto mais tarde o diagnóstico, maior a gravidade do quadro. Daí a insistência do alerta no diagnóstico precoce.
Como proteger o cão — e a sua família
A prevenção combina cuidado com o ambiente, com o tutor e com o animal. As recomendações reunidas pela SES-SP e pelo CRMV-RJ incluem:
- Manter o cão protegido contra carrapatos com produto e periodicidade indicados por um médico-veterinário — automedicar o pet com antiparasitário é arriscado e pode ser ineficaz;
- Inspecionar o corpo (o seu e o do animal) após passeios em áreas com vegetação, capim alto ou proximidade de capivaras;
- Usar roupas compridas e de cores claras nesses ambientes, o que facilita enxergar o carrapato antes que ele fixe;
- Remover o carrapato com pinça, sem esmagá-lo, puxando com firmeza e sem torcer;
- Procurar atendimento médico imediatamente ao ter febre alta e dor de cabeça forte depois de exposição a área de risco, e informar ao profissional que houve contato com carrapatos.
Na rotina de casa, o combate ao parasita é contínuo: a fêmea põe milhares de ovos no ambiente, e por isso o tratamento precisa alcançar também tapetes, frestas e o quintal. Reunimos o passo a passo em nosso guia sobre como eliminar pulgas e carrapatos do cachorro. A febre maculosa é mais um exemplo de zoonose em que o cuidado com o animal protege gente — assim como manter o calendário de vacinação de cães e gatos rigorosamente em dia.
O CRMV-RJ reforça ainda o papel do médico-veterinário na vigilância epidemiológica, no monitoramento de áreas de risco e no controle de carrapatos, dentro do conceito de Saúde Única — a ideia de que a saúde humana, a animal e a ambiental são um problema só.
Fontes: Agência SP — Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (23/07/2026) e CRMV-RJ (19/07/2026).


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