Onça-parda evita por 74 horas o lugar onde um cão passou, mostra estudo da Unesp

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Resposta rápida: Um estudo da Unesp publicado na revista Biological Conservation mostrou que, depois que um cão doméstico passa por um ponto de mata, a onça-parda leva em média 74 horas para voltar ao mesmo local — e só retoma o uso habitual da área entre cinco e seis dias depois. Quem evita quem, na relação entre cães e onças-pardas, não é o que se esperava.

A expectativa era a oposta. Sendo um predador de topo, a onça-parda deveria ser evitada pelos cães — e não o contrário. Mas um estudo conduzido na Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Jaboticabal, e publicado na revista científica Biological Conservation, mostrou que é a onça quem muda de rota.

O trabalho é assinado pelo doutorando Rodolpho Gonçalves da Silva e pela professora Rita Bianchi, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias. A ideia nasceu do aumento de registros de cães domésticos circulando dentro de áreas protegidas.

Como o estudo sobre cães e onças-pardas foi feito

O monitoramento usou 67 armadilhas fotográficas distribuídas em duas unidades de conservação do interior paulista: a Estação Ecológica de Santa Bárbara e a Floresta Estadual de Águas de Santa Bárbara. Entre 2014 e 2015, os equipamentos registraram:

  • 300 eventos com cães domésticos;
  • 194 eventos com onças-pardas.

Cruzando os horários e os locais, os pesquisadores mediram quanto tempo a onça demorava a retornar a um ponto depois da passagem de um cão. A resposta: 74 horas, em média, para reaparecer — e de cinco a seis dias para voltar ao padrão normal de uso daquele trecho.

Por que isso preocupa a conservação

Os dois animais nem sequer se encontram com frequência: os cães têm atividade predominantemente diurna, enquanto as onças mantêm hábito crepuscular e noturno. Encontros diretos são raros. Ainda assim, o simples rastro — cheiro, marcação, vestígio de passagem — é suficiente para deslocar a onça de parte do seu território.

Na prática, o cão doméstico funciona como um redutor de área útil para a fauna nativa. Some-se a isso a competição por presas e o risco de transmissão de doenças, e fica claro por que o manejo de cães que circulam soltos deixou de ser só uma pauta de bem-estar animal para virar tema de conservação.

O contraste com a história evolutiva da espécie é notável: o mesmo animal que acompanha humanos desde a Era do Gelo hoje redesenha o comportamento de um felino selvagem. Manter cães vacinados — sobretudo com a vacina antirrábica em dia — e evitar que circulem sozinhos perto de áreas de mata são medidas simples com efeito real.

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Este conteúdo é informativo e jornalístico. Ele não substitui a consulta a um médico-veterinário para o seu animal, nem a orientação de um médico para questões de saúde humana. Diante de qualquer sinal clínico, procure atendimento profissional.

Fonte: Jornal da Unesp — “Cães influenciam comportamento de onças-pardas em áreas de proteção no interior paulista”

ℹ️ Conteúdo informativo: este artigo não substitui orientação de um médico-veterinário.

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