O jeito de andar do seu cão idoso pode estar contando algo sobre o cérebro dele antes de qualquer esquecimento aparecer. É a conclusão de um estudo conduzido na North Carolina State University (NC State), nos Estados Unidos, e publicado em 24 de junho de 2026 na revista científica Frontiers in Veterinary Science.
A equipe acompanhou 88 cães geriátricos, com idade média em torno de 12 anos. Cada animal caminhou num corredor reto de cinco metros enquanto observadores treinados mediam a velocidade e o comprimento da passada das patas dianteiras e traseiras, com os valores ajustados pela altura do cão. Em paralelo, os tutores responderam às escalas usadas para pontuar disfunção cognitiva.
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O achado: a passada da frente é a que denuncia
O resultado foi específico. Não é qualquer lentidão: é o membro dianteiro que encurta. Nas palavras da pesquisadora responsável, Natasha Olby, o comprimento da passada frontal diminui com a idade, mas diminui mais com o comprometimento cognitivo — e “o efeito do declínio cognitivo é maior que o efeito da idade sozinha”.
Os números centrais:
- 88 cães geriátricos avaliados, idade média de cerca de 12 anos;
- corredor de 5 metros, passada medida nas quatro patas e ajustada pela altura;
- cada 10 pontos a mais no escore de disfunção cognitiva = 1,2% a menos no comprimento relativo da passada dianteira;
- o efeito se manteve ao comparar cães com o mesmo grau de artrose — ou seja, a mudança vem do cérebro, não apenas das juntas.
Esse último ponto é o que dá força ao achado, e conversa com outra pesquisa recente que mostrou como a dor da artrose mexe com a cabeça do cão, não só com as juntas. Aqui, os autores foram na direção oposta e isolaram o componente neurológico.
Como isso vira algo útil na consulta do seu cão
Ninguém vai diagnosticar demência em cães olhando um passo uma única vez — e os próprios autores deixam isso claro. O valor está na trajetória: medir a passada como quem mede peso, criando uma linha de base a partir dos sete ou oito anos e acompanhando ao longo do tempo. Um encurtamento progressivo (ou súbito) do passo da frente vira então um indicador precoce de declínio funcional, sinalizando que é hora de investigar.
O paralelo com a medicina humana é direto: em pessoas, alterações de marcha há tempos são estudadas como sinal precoce de demência. O que o estudo faz é trazer esse marcador — barato, não invasivo e sem exame de imagem — para a clínica de pequenos animais.
Se o comportamento do seu cão idoso já mudou, vale entender o quadro completo no nosso texto sobre disfunção cognitiva canina, o “Alzheimer” do cachorro, e revisar a rotina da fase sênior no guia de saúde de cães seniores. Sono bagunçado também entra na conta — a USP investiga justamente como o ruído urbano afeta o sono dos cães.
Você notou o passo do seu cão idoso mudar? Conte nos comentários — descrições de tutores ajudam outras pessoas a perceber cedo.
Aviso: este conteúdo é informativo e jornalístico e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Sinais de doença, dúvidas sobre exames, medicamentos ou mudanças de rotina devem ser avaliados presencialmente por um profissional habilitado. Informações sobre saúde humana não substituem a avaliação de um médico.
Fonte: Frontiers in Veterinary Science / North Carolina State University — “Thoracic limb stride length is associated with cognitive impairment in aging dogs”, junho de 2026 — ver publicação original.


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