Domesticação dos cães começou há mais de 14 mil anos, revela maior estudo genético já feito na Europa

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Lobo-cinzento (Canis lupus), ancestral dos cães domésticos
Resposta rápida: A domesticação dos cães começou há mais de 14 mil anos, aponta o maior estudo genético já feito sobre o tema, publicado na revista Nature. A pesquisa analisou 216 restos de canídeos e concluiu que todos os cães têm uma origem única, a partir de lobos da Ásia — e não de vários lugares ao mesmo tempo.

A domesticação dos cães ganhou uma nova linha do tempo. Um estudo publicado em março de 2026 na revista científica Nature, conduzido por pesquisadores do Francis Crick Institute (Reino Unido), da Universidade de East Anglia e do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha), reuniu a maior coleção de DNA antigo de cães já analisada e empurrou para trás a data confirmada em que o melhor amigo do homem se separou do lobo.

A equipe, liderada pelo geneticista Anders Bergström e coordenada pelo pesquisador Pontus Skoglund, extraiu e comparou o material genético de 216 restos de canídeos, sendo 181 deles anteriores ao início da agricultura (mais de 10 mil anos atrás). O cão mais antigo do estudo, encontrado na caverna de Kesslerloch, na Suíça, tem cerca de 14.200 anos — e há indícios de um exemplar ainda mais antigo, de aproximadamente 15.800 anos, na atual Türkiye.

O que o estudo genético descobriu sobre a domesticação dos cães

O achado mais impactante diz respeito à origem: todos os cães europeus antigos analisados descendem de uma mesma linhagem de lobos do leste da Eurásia. Em outras palavras, os cães foram domesticados uma única vez — provavelmente em algum ponto da Ásia — e depois se espalharam, em vez de terem surgido de forma independente em vários cantos do mundo. Segundo os autores, os lobos europeus praticamente não contribuíram para o DNA dos cães.

Os principais pontos da pesquisa são:

  • Foram analisados 216 restos de canídeos, coletados em países como Suíça, Alemanha, França, Bélgica, Holanda, Türkiye, Suécia, Dinamarca e Escócia;
  • O cão mais antigo, de Kesslerloch (Suíça), tem cerca de 14.200 anos;
  • Os cães já estavam amplamente distribuídos pela Europa e pela Ásia Ocidental há pelo menos 14 mil anos;
  • Há uma origem única para todos os cães, ligada a lobos do leste — não múltiplas domesticações;
  • Os cães europeus modernos ainda carregam cerca de metade da ancestralidade daqueles cães pré-agrícolas.

“Os cães foram o único animal domesticado antes da agricultura, então sua evolução pode nos ajudar a entender como uma grande mudança no estilo de vida moldou também a nossa própria história”, afirmou Pontus Skoglund, autor sênior do trabalho. O detalhe reforça o quanto a relação entre humanos e cães é antiga: ela nasceu ainda entre caçadores-coletores, antes de plantarmos o primeiro grão.

Por que isso importa para quem tem cachorro hoje

Entender a história genética dos cães ajuda a explicar por que eles se conectam tão bem com a gente. Milhares de anos de convivência selecionaram animais mais sociáveis e atentos aos sinais humanos — a base do que hoje chamamos de vínculo. Não à toa, a ciência tem investigado cada vez mais como os cães se comunicam conosco, como no caso dos cães que apertam botões para “falar” com os donos.

Essa herança milenar também aparece no dia a dia: no jeito de brincar, de pedir atenção e de reagir ao ambiente. Compreender o comportamento do cão é a melhor forma de fortalecer a relação e evitar problemas. E, como mostram outras pesquisas, boa parte do temperamento aparece cedo — a personalidade do filhote já dá pistas de como será o cão adulto.

Vale lembrar que, apesar de descenderem dos lobos, os cães passaram por milhares de anos de mudanças físicas e comportamentais. Eles não são lobos domésticos: são uma espécie moldada lado a lado com os humanos, com necessidades próprias de alimentação, saúde e afeto.

Vídeo: “Origem e Evolução dos Cães” (canal Zoomundo).

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Diante de sinais de doença, procure atendimento profissional.

Fonte: Revista Nature — Bergström et al. (2026), Francis Crick Institute.

ℹ️ Conteúdo informativo: este artigo não substitui orientação de um médico-veterinário.

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