Quem tem um felino em casa já desconfiava, e a pesquisa deu respaldo: gatos reconhecem o próprio nome. A conclusão vem de um estudo conduzido no laboratório do professor Toshikazu Hasegawa, na Universidade de Tóquio, tendo a pesquisadora Atsuko Saito como primeira autora. O trabalho foi publicado em 4 de abril de 2019 na revista científica Scientific Reports e é apontado como o primeiro a investigar a capacidade dos gatos de compreender a voz humana.
Ao todo, os cientistas acompanharam 77 gatos em quatro experimentos ao longo de cerca de três anos, incluindo animais que viviam em casas e outros em cat cafés. O método foi engenhoso: os donos repetiam quatro palavras com som parecido ao do nome do gato até o bichano “acostumar” e parar de reagir (um processo chamado habituação). Em seguida, diziam o nome verdadeiro.
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Como os cientistas descobriram que gatos reconhecem o próprio nome
A sacada estava na comparação. Depois de habituados às palavras neutras, muitos gatos voltavam a responder ao ouvir o próprio nome — mexendo as orelhas, virando a cabeça ou balançando a cauda. Como o nome se destacava justamente daquele conjunto de sons semelhantes, a resposta indicava discriminação auditiva: o felino separava seu nome das demais palavras.
Outro detalhe reforça a leitura: gatos que viviam em residências reconheceram melhor o nome do que os de cat cafés, onde vários nomes circulam o tempo todo. Ou seja, o reconhecimento parece depender do uso consistente pelo tutor no dia a dia.
- Estudo: Universidade de Tóquio, publicado em 2019 na Scientific Reports.
- Amostra: 77 gatos, em quatro experimentos.
- Sinais de reconhecimento: movimento de orelhas, cabeça e cauda.
- Fator decisivo: o nome ser usado com frequência em casa.
Reconhecer não é obedecer: a cognição felina
Um alerta importante: reconhecer o nome não significa que o gato virá correndo. Os próprios autores observam que a ausência de resposta pode refletir baixa motivação para interagir naquele momento, não falta de compreensão. Diferentemente do cão, o felino não foi domesticado para seguir comandos — o que combina com o jeito independente que a ciência vem desvendando na comunicação dos gatos, como no significado do ronronar e do miado.
Entender esses sinais ajuda o tutor a decifrar o bichano no cotidiano — do hábito de amassar pãozinho às pistas do comportamento animal em geral. Quando o gato reconhece o próprio nome e ainda assim não responde, muitas vezes ele apenas está exercendo, de novo, a sua célebre autonomia.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário.
Fonte: Universidade de Tóquio.


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