Seus gatos se lambem o tempo todo? Nem sempre é amizade, alerta estudo com 53 casas

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Resposta rápida: um estudo publicado em junho de 2026 na Applied Animal Behaviour Science analisou vídeos de 53 casas com dois gatos e concluiu que gatos se lambendo nem sempre estão demonstrando afeto: quando o que recebe a lambida achata as orelhas, sacode a cabeça ou boceja, a cena pode ser de tensão, não de carinho.

É uma das imagens mais queridas de quem tem mais de um gato: um lambendo a cabeça do outro, os dois encostados. A leitura automática é “eles se amam”. A ciência acaba de acrescentar um “às vezes”.

A pesquisa foi conduzida pela Universidade de Ghent (Bélgica) e pela Universidade de Lincoln (Reino Unido), com liderança de Morgane J.R. Van Belle, e publicada em 22 de junho de 2026.

Como o estudo flagrou os gatos se lambendo em casa

Em vez de levar os animais para um laboratório — ambiente que por si só estressa felinos —, os pesquisadores recrutaram 53 domicílios com dois gatos e pediram que os próprios tutores filmassem os episódios de lambida mútua (o chamado allogrooming).

A análise dos vídeos mostrou que o mesmo comportamento carrega dois significados opostos, e que a diferença está no contexto e na postura do corpo, não na lambida em si. Em 41% dos casos observados, a busca por contato físico antecedeu a sessão de lambidas.

Os sinais que apontam para vínculo saudável:

  • Postura sincronizada entre os dois gatos;
  • Corpo relaxado, sem rigidez;
  • Lambidas na cabeça e na região das orelhas;
  • Iniciativa mútua, com troca de papéis.

Os sinais que sugerem tensão ou agressão passiva:

  • O gato que recebe achata as orelhas — “porque não aprecia particularmente a interação”;
  • Lambidas insistentes no pescoço de um gato sobre o outro;
  • Sacudir a cabeça e bocejar durante a sessão;
  • Um mesmo animal sempre no papel de quem lambe, nunca de quem recebe.

O que fazer se o seu par de gatos está no segundo grupo

A recomendação dos pesquisadores não é separar os animais ao primeiro bocejo, e sim observar e monitorar para evitar escalada. Conflito entre gatos raramente começa com briga barulhenta: começa com bloqueio de passagem, olhares fixos e disputa silenciosa por recursos.

A intervenção que funciona costuma ser ambiental — multiplicar e espalhar caixas de areia, comedouros, bebedouros, esconderijos e pontos altos, para que ninguém precise negociar acesso. Vale também rever a oferta de arranhadores: entender por que o gato arranha os móveis ajuda a devolver a ele um jeito legítimo de marcar território.

O achado conversa com outras pesquisas que vêm desmontando leituras simplistas do comportamento felino. Um estudo recente sugeriu que acariciar o gato num momento ruim pode não aliviar o estresse como se imaginava, e a ciência por trás do ronronar mostra que nem todo ronrom significa contentamento.

Gato não é cachorro de outro formato. O idioma é mais discreto — e, como todo idioma discreto, exige que a gente preste mais atenção.

E na sua casa, como é? Conte nos comentários — a gente lê e responde.

Aviso: este conteúdo é informativo e jornalístico. Ele não substitui a consulta a um médico-veterinário, único profissional habilitado a diagnosticar, prescrever e definir o tratamento do seu animal. Em caso de sintomas em pessoas, procure um médico.

Fonte: Phys.org — Why do cats groom each other? Research found that it is not always friendly (Applied Animal Behaviour Science, 22/06/2026)

ℹ️ Conteúdo informativo: este artigo não substitui orientação de um médico-veterinário.

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