É uma das imagens mais queridas de quem tem mais de um gato: um lambendo a cabeça do outro, os dois encostados. A leitura automática é “eles se amam”. A ciência acaba de acrescentar um “às vezes”.
A pesquisa foi conduzida pela Universidade de Ghent (Bélgica) e pela Universidade de Lincoln (Reino Unido), com liderança de Morgane J.R. Van Belle, e publicada em 22 de junho de 2026.
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Como o estudo flagrou os gatos se lambendo em casa
Em vez de levar os animais para um laboratório — ambiente que por si só estressa felinos —, os pesquisadores recrutaram 53 domicílios com dois gatos e pediram que os próprios tutores filmassem os episódios de lambida mútua (o chamado allogrooming).
A análise dos vídeos mostrou que o mesmo comportamento carrega dois significados opostos, e que a diferença está no contexto e na postura do corpo, não na lambida em si. Em 41% dos casos observados, a busca por contato físico antecedeu a sessão de lambidas.
Os sinais que apontam para vínculo saudável:
- Postura sincronizada entre os dois gatos;
- Corpo relaxado, sem rigidez;
- Lambidas na cabeça e na região das orelhas;
- Iniciativa mútua, com troca de papéis.
Os sinais que sugerem tensão ou agressão passiva:
- O gato que recebe achata as orelhas — “porque não aprecia particularmente a interação”;
- Lambidas insistentes no pescoço de um gato sobre o outro;
- Sacudir a cabeça e bocejar durante a sessão;
- Um mesmo animal sempre no papel de quem lambe, nunca de quem recebe.
O que fazer se o seu par de gatos está no segundo grupo
A recomendação dos pesquisadores não é separar os animais ao primeiro bocejo, e sim observar e monitorar para evitar escalada. Conflito entre gatos raramente começa com briga barulhenta: começa com bloqueio de passagem, olhares fixos e disputa silenciosa por recursos.
A intervenção que funciona costuma ser ambiental — multiplicar e espalhar caixas de areia, comedouros, bebedouros, esconderijos e pontos altos, para que ninguém precise negociar acesso. Vale também rever a oferta de arranhadores: entender por que o gato arranha os móveis ajuda a devolver a ele um jeito legítimo de marcar território.
O achado conversa com outras pesquisas que vêm desmontando leituras simplistas do comportamento felino. Um estudo recente sugeriu que acariciar o gato num momento ruim pode não aliviar o estresse como se imaginava, e a ciência por trás do ronronar mostra que nem todo ronrom significa contentamento.
Gato não é cachorro de outro formato. O idioma é mais discreto — e, como todo idioma discreto, exige que a gente preste mais atenção.
E na sua casa, como é? Conte nos comentários — a gente lê e responde.


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