Um alerta divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Portal Cães e Gatos, com base em material da Real Sociedad Canina de España (RSCE), recolocou um exame pouco pedido no Brasil no centro da consulta veterinária: o medidor de pressão. Segundo a entidade, a hipertensão em cães é uma “doença silenciosa” que avança sem sinal visível e só é flagrada quando o estrago já está feito.
O ponto que chama atenção é a lista de raças. A RSCE aponta Poodle (caniche), Schnauzer miniatura e Teckel (o “salsicha”) como as de maior risco — não porque a raça em si eleve a pressão, mas porque elas têm, nas palavras do material, “maior predisposição genética a doenças endócrinas, renais e metabólicas”. São exatamente essas doenças que puxam a pressão para cima.
Índice:
Por que a hipertensão em cães quase sempre é consequência de outra coisa
Diferente do que acontece com gente, a pressão alta no cão raramente é um problema isolado. Ela costuma ser secundária — ou seja, o sintoma de uma doença de base. As três mais citadas pela entidade são:
- Doença renal crônica — o rim doente perde a capacidade de regular a pressão, e a pressão alta destrói mais rim, num ciclo que se retroalimenta;
- Diabetes mellitus — altera vasos e função renal ao longo do tempo;
- Hiperadrenocorticismo (síndrome de Cushing) — o excesso de cortisol tem efeito direto sobre a pressão arterial.
É por isso que a lista de raças de risco faz sentido: Poodle, Schnauzer miniatura e Teckel aparecem com frequência em estatísticas de endocrinopatias e de problemas metabólicos. O Schnauzer miniatura, por exemplo, é uma das raças mais associadas a alterações no metabolismo de gorduras — o mesmo perfil que aparece nos casos de pancreatite em cães.
O que a pressão alta destrói enquanto ninguém percebe
Segundo o material da RSCE, a pressão arterial “pode se manter elevada por longos períodos sem demonstrar sinais clínicos evidentes”, causando “lesões progressivas em órgãos-alvo, afetando gravemente a retina, os rins, o cérebro e o sistema cardiovascular”.
Na prática de consultório, os sinais que costumam levar o tutor à clínica já são tardios: perda súbita de visão (por descolamento de retina), desorientação, convulsão, sangramento nasal ou piora rápida de um quadro renal. Vale reforçar que sopro e pressão alta são coisas diferentes — quem quiser entender a outra ponta cardíaca pode ler nosso texto sobre sopro no coração em cães.
A recomendação: transformar a aferição em rotina geriátrica
A entidade enfatiza “a importância de incluir a aferição da pressão arterial nas consultas geriátricas de rotina”, usando “técnicas não invasivas, como o método Doppler”. É um exame rápido, sem sedação e de custo baixo perto de qualquer tratamento de emergência.
Três coisas ajudam a tirar isso do papel na sua próxima consulta:
- Peça o exame pelo nome: “aferição de pressão arterial por Doppler”. Muitos tutores nunca pedem, e o exame acaba não sendo feito de rotina;
- Combine com o check-up renal — a dupla creatinina/SDMA + urina é o que fecha o raciocínio. As novas diretrizes do IRIS mudaram justamente o momento de agir em cães e gatos renais;
- Estabeleça um valor de base enquanto o cão está saudável. Sem referência própria, uma medida isolada diz pouco — o estresse da clínica sozinho já eleva o número.
Se o seu cão já entrou na faixa sênior, vale conferir o que muda na rotina dessa fase no nosso guia de saúde para cães idosos — e, se você não tem certeza da idade dele em “anos humanos”, nossa calculadora de idade do cão e do gato resolve em segundos.
E você, já mediu isso no seu pet? Conte sua experiência nos comentários — outros tutores leem e aprendem com relatos reais.
Aviso: este conteúdo é informativo e jornalístico e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Sinais de doença, dúvidas sobre exames, medicamentos ou mudanças de rotina devem ser avaliados presencialmente por um profissional habilitado. Informações sobre saúde humana não substituem a avaliação de um médico.
Fonte: Portal Cães e Gatos, com base em material da Real Sociedad Canina de España (RSCE), publicado em 6 de agosto de 2026 — ver publicação original.


Deixe um comentário