Uma mudança discreta em um documento técnico pode alterar a rotina de quem tem cão ou gato idoso. As diretrizes do IRIS — a International Renal Interest Society, referência mundial em nefrologia veterinária — receberam uma atualização divulgada em julho de 2026 com foco no manejo da anemia associada à doença renal crônica.
A anemia é a parte menos comentada e uma das mais cruéis dessa doença. Ela consome a disposição do animal, piora a falta de apetite e alimenta um ciclo de emagrecimento e fraqueza que o tutor costuma interpretar como “velhice”, não como algo tratável.
Índice:
O que mudou nas diretrizes do IRIS
O ponto central da revisão é o gatilho para agir. Em vez de esperar quadros graves, o documento define faixas mais objetivas:
- Cães: intervenção a partir de hematócrito abaixo de 30%, ou anemia persistente na faixa de 30% a 35%;
- Gatos: intervenção a partir de hematócrito abaixo de 25%, ou anemia persistente entre 25% e 28%;
- Nova classe terapêutica: os inibidores de HIF-PH (como o molidustate) passaram a ser formalmente citados como opção — embora, no Brasil, a eritropoietina siga mais comum por custo e acesso;
- Diagnóstico integrado: creatinina, SDMA, urinálise, relação proteína/creatinina urinária, pressão arterial e exames de imagem devem ser lidos em conjunto, não isoladamente.
O estadiamento da doença pela creatinina permaneceu praticamente o mesmo. O avanço está no manejo prático e no recado de que nenhum exame isolado fecha o caso.
O que isso significa para quem tem um gato idoso
A doença renal crônica é silenciosa por anos: quando dá sinais claros, boa parte da função dos rins já se perdeu. Por isso o exame de rotina no animal sênior deixou de ser luxo. Recentemente cobrimos os novos tratamentos para doença renal crônica em gatos apresentados em congresso, e o pano de fundo é o mesmo desta atualização — os gatos estão vivendo mais.
Na prática, o tutor não precisa decorar número de hematócrito. Precisa saber que emagrecimento, apatia, mucosa pálida e queda de apetite em um animal renal merecem hemograma, e que existe conduta para isso. Se o atendimento presencial for difícil, vale lembrar que a resolução sobre atendimento veterinário domiciliar delimita o que pode ser feito em casa.
Nenhum dos medicamentos citados é de venda livre nem pode ser iniciado por conta própria: são de prescrição exclusiva. Automedicar um animal renal é uma forma rápida de piorar o quadro — assunto, aliás, que se conecta ao cuidado com substâncias e alimentos tóxicos para cães e gatos.
Fonte: Portal Cães e Gatos — atualização das diretrizes do IRIS.


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