Um gato que devora a ração, pede comida o tempo todo e, ainda assim, vai ficando cada vez mais magro não está apenas “comendo demais”: esse é o retrato clássico do hipertireoidismo em gatos, um distúrbio causado pela produção excessiva de hormônio da tireoide. Segundo o Cornell Feline Health Center, da Universidade Cornell (EUA), trata-se de uma doença comum que atinge principalmente felinos de meia-idade e idosos, sem preferência por raça ou sexo.
A glândula tireoide, localizada no pescoço, regula o metabolismo do corpo. Quando ela passa a trabalhar em excesso, o organismo do gato entra em uma espécie de “aceleração” constante: o metabolismo dispara, o animal queima energia de forma exagerada e emagrece, mesmo com o apetite aumentado. Na imensa maioria dos casos, a causa é um crescimento benigno da glândula (adenoma); tumores malignos são raros.
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Sinais de hipertireoidismo em gatos que o tutor deve observar
Os sintomas costumam surgir aos poucos e, no começo, podem ser confundidos com o envelhecimento normal. Por isso, muitos tutores demoram a perceber que algo está errado. Entre os sinais mais descritos pela literatura veterinária estão:
- Emagrecimento progressivo, mesmo com apetite normal ou aumentado;
- Fome exagerada — o gato parece sempre faminto;
- Aumento da sede e da urina;
- Agitação, inquietação ou hiperatividade, às vezes com miados frequentes;
- Pelagem com aspecto descuidado, opaca ou engordurada;
- Vômitos ou diarreia;
- Aumento da frequência cardíaca.
Como o coração acelera de forma crônica, o hipertireoidismo pode levar a alterações cardíacas e à pressão alta, que ameaçam olhos, rins e o próprio coração. Não à toa, problemas cardíacos merecem atenção em felinos mais velhos — assim como em outros animais, conforme explicamos no texto sobre sopro no coração e sinais de alerta. Como muitos desses sintomas se sobrepõem a outras doenças de gatos idosos, é fundamental não fechar diagnóstico por conta própria.
Diagnóstico e tratamento do hipertireoidismo em gatos
O diagnóstico do hipertireoidismo em gatos começa no consultório: o veterinário costuma palpar o pescoço em busca de um aumento da tireoide e avalia a frequência cardíaca e a pressão arterial. A confirmação vem pelo exame de sangue, que na maioria dos casos mostra níveis elevados do hormônio T4. Uma pequena parcela de gatos doentes pode ter T4 normal, o que às vezes exige exames complementares.
A boa notícia é que a doença tem tratamento — e mais de uma opção. O Cornell Feline Health Center descreve quatro caminhos: medicação antitireoidiana (em comprimidos ou gel transdérmico, que controla a produção do hormônio e geralmente é usada por toda a vida); terapia com iodo radioativo, apontada como a preferida por curar cerca de 95% dos casos; cirurgia para retirada da glândula; e dieta com restrição de iodo, considerada mais controversa. A escolha depende da idade do gato, de outras doenças associadas e da rotina da família — e cabe sempre ao veterinário.
Vale lembrar que o gato idoso costuma acumular condições de saúde, e sinais parecidos podem apontar para problemas bem diferentes. Vale conhecer também outras doenças felinas importantes, como a obstrução urinária, que é uma emergência, e infecções como FIV e FeLV. Consultas de rotina e exames de sangue periódicos, sobretudo depois dos 7 anos de idade, são a melhor forma de detectar o hipertireoidismo cedo e garantir qualidade de vida ao felino.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Diante de sinais de doença, procure um profissional.
Fonte: Cornell Feline Health Center — Cornell University College of Veterinary Medicine


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