Idosos que moram sozinhos: 76% dizem que o pet melhora o bem-estar — e o cão vence só até certa idade

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Resposta rápida: numa pesquisa com 900 idosos que moram sozinhos nos Estados Unidos, 76% disseram que o animal de estimação melhora seu bem-estar emocional, 62% que reduz o estresse e 45% que os deixa mais ativos. Tutores de cães relataram 42% mais atividade física do que quem não tem pet. Os dados são autodeclarados e mostram associação, não causa.

Para idosos que moram sozinhos, o cachorro ou o gato pode ser bem mais do que companhia. É o que sugere um levantamento do Mather Institute, braço de pesquisa de uma organização sem fins lucrativos de Evanston, em Illinois, divulgado em 30 de setembro de 2026. A pesquisa on-line ouviu 900 pessoas de 55 anos ou mais que vivem sós e não contam com parentes ou amigos para apoio no dia a dia — grupo que os pesquisadores chamam de solo agers.

Os resultados, todos baseados no que os próprios participantes relataram, apontam na mesma direção:

  • 76% disseram que o pet melhora o bem-estar emocional;
  • 62% afirmaram que o animal diminui o estresse;
  • 45% contaram que ficaram fisicamente mais ativos;
  • quase metade disse que o pet ajuda a aliviar a solidão;
  • cerca de um terço relatou mais contato social, por causa dos passeios e do tempo fora de casa.

Os participantes também disseram que os animais dão propósito e estrutura ao dia: há hora de comer, de sair, de brincar. “Ter meus dois bebês peludos não só me dá alegria como me permite não me sentir sozinha”, contou BrendaLea Abbott, de 66 anos, que diz que sem eles sairia menos e teria menos contato com os vizinhos.

Cachorro ou gato? Depende da idade

Os tutores de cães foram os que relataram mais atividade física: 42% a mais do que os participantes sem animal, que tiveram a menor média semanal. Entre quem tem gato, o movimento aparece de outro jeito — rajadas curtas e frequentes, ligadas a alimentar, brincar e cuidar da rotina da casa.

O dado mais curioso está no recorte por idade. Entre 55 e 64 anos, quem tinha cachorro relatou menos sintomas depressivos e melhor bem-estar geral do que quem tinha gato. A partir dos 75, o padrão se inverteu: os tutores de gatos passaram a relatar menos sintomas depressivos. O material divulgado não traz os números dessa comparação, e por isso ela deve ser lida como tendência, não como regra. Faz sentido imaginar que as exigências de um cão pesem mais com o passar dos anos, mas essa explicação não foi testada na pesquisa.

“Uma das coisas que esta pesquisa nos lembra é que viver bem por mais tempo envolve mais do que cuidados médicos”, disse Jennifer Smith, vice-presidente do Mather Institute. Conexão social, propósito e atividade física também contam, afirmou, e os animais podem ajudar nos três.

O que idosos que moram sozinhos devem pesar antes de adotar

O levantamento não é um convite a adotar por impulso. Os próprios participantes citaram dificuldades: o peso financeiro, o tempo que o animal exige e a preocupação com quem cuidaria dele se o tutor ficasse impossibilitado. Antes de decidir, vale fazer as contas de quanto custa ter um cachorro ou gato. O instituto deixa três recomendações:

  • definir com antecedência quem assume o animal numa emergência — uma pessoa de confiança, um abrigo ou um programa de lar temporário;
  • escolher um pet cujo porte, energia e temperamento combinem com a rotina e a saúde do tutor;
  • procurar programas de voluntariado que ajudem com passeios e idas ao veterinário.

No Brasil, quem quer adotar um animal adulto e mais tranquilo — muitas vezes a melhor escolha nessa fase — pode começar pelo guia de ONGs de proteção animal por região.

Os limites da pesquisa precisam ficar claros. Ela foi feita nos Estados Unidos, com respostas autodeclaradas; o material divulgado não informa como a amostra foi selecionada nem indica publicação em revista científica com revisão por pares. E os resultados mostram associação: não dá para afirmar que é o pet que causa o bem-estar — pessoas mais ativas e saudáveis podem simplesmente ter mais condições de manter um animal. O tema, de todo modo, conversa com outros achados, como o de que morar com gatos se associa a melhores indicadores do coração e o de que a perda do pet pode doer tanto quanto a de uma pessoa.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário (para o animal) nem a um médico (para pessoas). Decisões sobre atividade física e saúde emocional na terceira idade devem ser conversadas com o médico.

Fonte: dvm360 — Pets may help older adults who live alone stay active and connected, survey finds (01/10/2026); comunicado do Mather Institute (30/09/2026).

ℹ️ Conteúdo informativo: este artigo não substitui orientação de um médico-veterinário.

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