A conversa sobre Ozempic para gatos saiu das redes sociais e entrou no laboratório. Duas empresas americanas colocaram em ensaio clínico medicamentos da família dos análogos de GLP-1 — a mesma classe dos remédios que provocaram perda de peso expressiva em humanos — desenvolvidos especificamente para felinos acima do peso.
O primeiro é da Akston Biosciences, que anunciou em 25 de novembro de 2025 o início de um estudo clínico no Cornell University College of Veterinary Medicine. O candidato, o AKS-562c, é uma proteína GLP-1 de aplicação semanal, desenhada para reduzir o apetite do gato. A meta é recrutar 70 gatos de tutores, com opção de ampliar para 140, em um estudo de cerca de três meses conduzido pelo professor Patrick Carney, DVM, PhD.
“A obesidade felina é um dos problemas de saúde mais comuns e menos efetivamente tratados da medicina veterinária”, afirmou Todd Zion, presidente-executivo da Akston, no anúncio. Segundo dados da Association for Pet Obesity Prevention citados pela empresa, 61% dos gatos avaliados nos Estados Unidos em 2022 estavam acima do peso ou obesos — mas apenas cerca de um terço dos tutores enxergava o próprio gato assim.
Índice:
Um implante que dura seis meses
A segunda frente vem da Okava Pharmaceuticals, de São Francisco, com o estudo batizado de MEOW-1 (de management of overweight cats). Em vez de injeções, a aposta é o OKV-119: um implante minúsculo, colocado sob a pele em consulta de rotina, que libera exenatida de forma contínua por até seis meses. A exenatida foi o primeiro agonista de GLP-1 aprovado para diabetes tipo 2 em humanos, em 2005.
Pelo desenho divulgado, o MEOW-1 deve incluir até 50 gatos, com avaliação total de seis meses e a principal medida de peso aos três meses. A empresa projeta pedido de aprovação regulatória nos Estados Unidos entre 2027 e 2028 e fala em custo estimado de US$ 100 por mês. A Akston, por sua vez, tem um programa para cães cerca de seis meses atrás do felino.
Por que a obesidade felina é tão difícil de tratar
Gato acima do peso não é questão estética: o excesso de gordura está ligado a diabetes, doença articular, problemas urinários e menor expectativa de vida — e, no gato, emagrecer rápido demais é perigoso, porque pode desencadear lipidose hepática. É justamente por isso que a promessa de um Ozempic para gatos desperta tanto interesse: o controle de peso felino hoje depende de dieta rigorosa e disciplina do tutor, algo que emperra na prática.
- o gato pede comida várias vezes ao dia e a família cede;
- a ração é ofertada à vontade, sem porção medida;
- a redução calórica precisa ser lenta e monitorada por veterinário;
- a percepção do tutor sobre o peso do animal costuma ser otimista demais.
Se você desconfia que o seu gato passou do ponto, comece pelo básico: o nosso guia de obesidade em cães e gatos mostra como avaliar o escore corporal em casa. O tema também aparece nos consultórios brasileiros: uma pesquisa recente indicou que 94,8% dos veterinários veem alta nos casos de obesidade em pets.
Antes que alguém pense em atalho: nada disso está liberado
Nenhum desses produtos é aprovado para uso em animais no Brasil, e os resultados dos estudos ainda não foram publicados. Mais importante: medicamento humano de emagrecimento não deve ser aplicado em cães e gatos — a dose, o metabolismo e os riscos são diferentes, e a automedicação pode matar. Qualquer plano de perda de peso precisa passar por um médico-veterinário, que vai calcular a meta calórica e acompanhar a curva.
Enquanto a ciência avança, o que funciona continua sendo ração medida, ração adequada à fase de vida — assunto que a revisão sobre nutrição de cães e gatos idosos detalha bem — brincadeira diária e consulta regular. Peso sob controle, aliás, é um dos fatores que mais pesam em quantos anos vive um gato.
Você já passou por uma situação parecida com o seu pet? Conte nos comentários — a sua experiência ajuda outros tutores.


Deixe um comentário