Por que as raças de focinho achatado sofrem mais no inverno seco — e os sinais que pedem veterinário

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raças de focinho achatado
Resposta rápida: cães e gatos braquicefálicos — as raças de focinho achatado, como Pug, Shih Tzu, Buldogue Francês, Boxer e o gato Persa — têm vias aéreas naturalmente mais estreitas. No inverno seco, qualquer inflamação leve já vira desconforto respiratório grande. Tosse persistente, espirro frequente, secreção nasal ou ocular, respiração acelerada e apatia são sinais de procurar veterinário.

O ar seco e as manhãs frias do inverno brasileiro cobram um preço maior de alguns animais do que de
outros. Entre as raças de focinho achatado, o que num cão de focinho longo seria uma
irritação passageira pode virar um quadro respiratório sério em poucas horas.

A explicação é anatômica. Segundo a veterinária Amanda Vaz, especialista do Veros Hospital Veterinário,
“a anatomia dessas raças torna a ventilação nasal menos eficiente” — as vias aéreas já são estreitas de
nascença e acumulam mais muco. Com o ar seco, a mucosa resseca, o muco fica mais espesso e o animal
precisa de mais esforço para o mesmo volume de ar.

Na lista dos mais afetados estão o Pug, o Shih Tzu, o Buldogue Francês e o Boxer, entre os cães, e o
Persa, entre os gatos. Mas o grupo de risco do inverno é maior: filhotes, animais idosos, cães de porte
pequeno e pets de pelagem curta também sentem mais.

As doenças que aparecem quando as raças de focinho achatado enfrentam o frio

As duas infecções mais registradas nos consultórios nesta época são a traqueobronquite infecciosa canina
— a popular “gripe canina”, que se espalha rápido em creches, hotéis e petshops — e a rinotraqueíte
infecciosa felina. Além delas, aparecem quadros de bronquite crônica, sinusite, desidratação e colapso de
traqueia, este último especialmente comum em cães pequenos.

A ligação com aglomeração explica por que o problema cresce no inverno: com o frio, os animais passam
mais tempo em ambientes fechados e com menos troca de ar, o que facilita a circulação de agentes
respiratórios.

  • Tosse persistente, especialmente aquela seca e “engasgada”
  • Espirros frequentes e secreção nasal ou ocular
  • Respiração acelerada ou com esforço visível do abdome
  • Cansaço excessivo em passeios curtos que antes eram tranquilos
  • Febre, apatia e perda de apetite

Vale prestar atenção também no que o corpo do animal diz antes do primeiro espirro: a
linguagem corporal do cachorro muda quando ele está desconfortável — postura
encolhida, relutância em sair, procura por cantos aquecidos.

O que reduz o risco

As medidas são simples e todas de rotina: manter a vacinação em dia (a vacina contra traqueobronquite
entra no calendário de vacinação de cães e gatos), evitar exposição prolongada ao
frio e a correntes de ar, oferecer local aquecido e confortável para descanso, manter o ambiente limpo e
ventilado, garantir hidratação e alimentação equilibrada e evitar contato com animais doentes. Passeios,
quando possível, nos horários de sol.

Para os cuidados gerais de temperatura e rotina nesta estação, o CRMV-SP já detalhou as orientações em
como proteger cães e gatos do frio. Um alerta específico para os focinhos achatados:
nunca use aquecedores muito próximos nem cobertores pesados que dificultem o animal se destapar sozinho —
o superaquecimento é tão perigoso quanto o frio para quem já respira com dificuldade.

Se o animal já tem histórico de problema respiratório, o inverno é o período em que a consulta de
acompanhamento vale mais. Hoje há inclusive a opção do atendimento veterinário
domiciliar
, regulamentado em 2026, que evita o estresse do transporte no frio.


Este conteúdo é informativo e jornalístico e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Diante de qualquer sinal de doença, procure atendimento profissional. Informações sobre saúde humana também não substituem a avaliação de um médico.

Fonte: Metrópoles — Inverno: quais raças de cães e gatos mais sofrem com clima seco e frio

ℹ️ Conteúdo informativo: este artigo não substitui orientação de um médico-veterinário.

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