Um cão que aparece machucado toda semana. Um gato que some. Uma vizinha que nunca mais foi vista na rua. Para o Sistema CFMV/CRMVs — o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Medicina Veterinária —, esses fatos podem não ser coincidência. É esse o ponto de partida da campanha nacional lançada neste mês de agosto, que coloca a violência contra animais no centro do debate sobre violência doméstica.
A campanha se chama “Proteger os animais é prevenir a violência. Um elo pela vida” e foi encaixada no Agosto Lilás, o mês dedicado ao enfrentamento da violência contra a mulher. A proposta é conscientizar a sociedade sobre a conexão entre os dois tipos de agressão e sobre a necessidade de enfrentá-los de forma integrada, e não como problemas separados.
Índice:
O que é a Teoria do Elo — e por que ela liga a violência contra animais à violência doméstica
A chamada Teoria do Elo parte de uma observação repetida em estudos internacionais: em lares onde há agressão contra animais, é frequente que haja também agressão contra pessoas — companheiras, crianças, idosos. O animal costuma ser o alvo mais fácil e, muitas vezes, o primeiro.
O próprio material da campanha é transparente sobre um limite importante: no Brasil não existe cruzamento oficial de dados entre registros de maus-tratos a animais e registros de violência contra pessoas. A conexão está documentada principalmente em pesquisas de fora, sobretudo dos Estados Unidos. Ou seja: o elo é levado a sério pelos conselhos de veterinária, mas o Brasil ainda não mede o próprio problema.
Essa lacuna tem um efeito prático. Sem dados cruzados, o maltrato ao animal raramente é lido pelas autoridades como possível indício de um lar violento — e a chance de intervir antes que a agressão escale se perde.
Entre as vozes ouvidas pela campanha estão o perito médico-veterinário Felipe Sá, da polícia científica do Pará, e a major Alcilene Coutinho, da Superintendência de Prevenção à Violência da Secretaria de Segurança Pública da Bahia — perfis que mostram por onde o tema caminha: perícia veterinária e segurança pública, juntas.
Como denunciar violência contra animais (e para onde ligar)
A campanha reforça que denunciar é o passo que transforma suspeita em registro. Os canais são estes:
- 181 — Disque Denúncia: canal anônimo, indicado para relatar maus-tratos a animais.
- 190 — Polícia Militar: para situações em andamento, com risco imediato ao animal ou a pessoas.
- 180 — Central de Atendimento à Mulher: quando houver violência doméstica envolvida.
Vale lembrar que maus-tratos a animais não são só agressão física. Vasilha sem água, dor não tratada, confinamento em espaço insalubre e abandono também configuram maus-tratos — e a lei vem endurecendo nesse ponto: a pena para maus-tratos a animais pode subir para até 6 anos, segundo texto aprovado na CCJ do Senado.
Se você encontrou um animal em situação de risco e não sabe o que fazer na hora, este passo a passo ajuda: o que fazer de verdade ao encontrar um animal abandonado. E para acionar quem já atua na ponta, consulte o nosso diretório de ONGs de proteção animal, organizado por região. Casos extremos mostram por que a denúncia importa: em uma única cidade, mais de 200 cães e gatos foram mortos por envenenamento.
O CFMV mantém a página oficial da campanha em cfmv.gov.br/umelopelavida, com artigos e materiais de divulgação sobre o tema.


Deixe um comentário