Brasil terá 6 ondas de calor até dezembro: como proteger cães e gatos do calor

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Resposta rápida: O Cemaden projeta pelo menos seis ondas de calor no Brasil entre setembro e dezembro de 2026, com setembro até 3 °C acima da média histórica. Cão e gato não transpiram como nós — quem precisa antecipar a adaptação da rotina é o tutor: água em vários pontos da casa, passeio só no começo da manhã e no fim da tarde, e atenção redobrada com filhotes, idosos, obesos e raças de focinho achatado.

A primavera ainda nem começou e o alerta já está dado: o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) projeta que o Brasil deve enfrentar pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026. Para quem tem animal em casa, o recado é direto — proteger cães e gatos do calor deixa de ser cuidado pontual de verão e vira rotina a partir de agora.

Segundo a análise divulgada neste fim de semana, o fenômeno deve afetar todo o território nacional, com temperaturas de até 3 °C acima da média histórica em setembro. A projeção está ligada à formação de um Super El Niño que, segundo o centro, pode estar entre os mais intensos já registrados.

O histórico serve de régua: durante o último El Niño, o Brasil registrou nove ondas de calor. A doutora em Ciências do Sistema Terrestre Mabel Calim Costa, especialista em ondas de calor do Cemaden, e o especialista em Ciências Meteorológicas Marcelo Seluchi assinam a avaliação, que ressalva: o número pode ser ainda maior se o aquecimento dos oceanos se intensificar nos próximos meses.

Por que proteger cães e gatos do calor exige mais do que abrir a janela

Cães e gatos praticamente não transpiram pela pele. O cão dissipa calor sobretudo pela ofegação — aquele arfar rápido — e por uma quantidade pequena de glândulas nas almofadinhas das patas; o gato ainda se lambe para perder calor por evaporação. São mecanismos eficientes num dia comum e insuficientes quando o ambiente esquenta rápido e o ar fica seco.

É por isso que a intermação, o popular golpe de calor, evolui em minutos e não em horas. Os sinais que pedem veterinário na hora:

  • ofegação intensa que não cede mesmo em repouso e na sombra;
  • gengiva muito vermelha, arroxeada ou pálida, e saliva espessa;
  • fraqueza, cambaleio, desorientação ou colapso;
  • vômito ou diarreia, às vezes com sangue;
  • no gato, respirar de boca aberta — sempre anormal e sempre urgente.

Alguns animais entram no período de risco em desvantagem: filhotes e idosos regulam pior a temperatura, obesos aquecem mais e dissipam menos, e as raças de focinho achatado, como pug, buldogue e persa, têm vias aéreas que já dificultam a troca de calor em dia ameno. Cães de pelagem escura e animais com doença cardíaca ou respiratória merecem vigilância extra — vale conversar com o veterinário antes do pico, como reforça nosso guia de saúde canina.

O que mudar na rotina antes da primeira onda de calor

  • Água em vários pontos da casa, trocada mais de uma vez ao dia. Potes largos e à sombra; gatos costumam beber mais em fontes de água corrente.
  • Passeio só nas pontas do dia — até por volta das 9h e depois das 17h. Teste o asfalto com as costas da mão por cinco segundos: se você não aguenta, a almofadinha também não.
  • Sombra de verdade e ventilação cruzada. Deixe portas internas abertas para o animal escolher o cômodo mais fresco, em geral o de piso frio.
  • Nunca deixe o animal dentro do carro, nem com a janela entreaberta, nem por “só um minuto”.
  • Refresque sem choque térmico: toalha úmida em água à temperatura ambiente nas patas, virilha e axilas. Gelo direto na pele e banho gelado causam vasoconstrição e atrapalham a perda de calor.
  • Petiscos gelados e alimentos ricos em água ajudam na hidratação, sempre respeitando a lista do que é seguro para cada espécie.

Calor forte também antecipa a temporada de parasitas: com mais umidade e temperatura, pulgas e carrapatos se reproduzem mais rápido. Manter o controle em dia evita que a estação quente venha acompanhada de doença do carrapato.

Quem seguiu no inverno as recomendações do nosso material sobre como proteger cães e gatos do frio vai reconhecer a lógica: o princípio é o mesmo — antecipar a virada de estação em vez de reagir ao primeiro dia extremo.

Análise sobre a influência do El Niño no clima do Brasil. Vídeo: CNN Brasil, via YouTube.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um médico-veterinário. Diante de qualquer sinal de intermação, leve o animal imediatamente a um serviço veterinário — é uma emergência.

Fonte: Brasil deve enfrentar seis ondas de calor entre setembro e dezembro — análise do Cemaden

ℹ️ Conteúdo informativo: este artigo não substitui orientação de um médico-veterinário.

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